Nesta segunda-feira, 12 de outubro, o Brasil se une em oração aos pés de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do nosso país.
Milhões de brasileiros recorrem à sua proteção. São pedidos pela saúde, pela família, pelo trabalho, pelos filhos e por um futuro melhor. São agradecimentos por graças alcançadas, promessas renovadas e lágrimas derramadas diante de uma fé que resiste ao tempo e às dificuldades da vida. Porque Nossa Senhora Aparecida é muito mais do que uma imagem. Para milhões de devotos, ela é acolhimento, consolo e esperança. É a presença materna que fortalece quem já não sabe a quem recorrer. É a fé que sustenta quando as respostas não chegam e as dificuldades parecem maiores do que as nossas forças.
Mas a celebração deste ano também nos convida à reflexão.
E não podemos ignorar a apreensão de fiéis diante de episódios que atingem espaços sagrados, como o ataque à imagem de Nossa Senhora do Rosário, em uma igreja de Resende Costa e o furto do manto e coroa de N.Sra.Aparecida da igreja em Barbacena. Atos dessa natureza precisam ser apurados com seriedade, respeitando os fatos e responsabilizando quem for responsável. Uma igreja é muito mais do que suas paredes. É um lugar de oração, de encontro, de memória e de expressão da fé. Atacar aquilo que representa a devoção de uma comunidade é ferir sentimentos que fazem parte da história e da vida de muitas pessoas.
Isso não significa que uma sociedade deva deixar de debater suas diferenças. O Brasil é plural, reúne diferentes religiões, crenças e convicções. E todas merecem respeito. Mas é preciso compreender que a liberdade de pensar diferente não nos dá o direito de desrespeitar a fé de ninguém. Da mesma forma, defender a própria religião não pode ser justificativa para perseguir ou discriminar quem acredita de outra maneira. O caminho deve ser sempre o diálogo, nunca o ódio. O respeito, nunca a violência.
Nossa Senhora Aparecida representa uma tradição profundamente enraizada na história brasileira. E neste ano, temos muito a pedir.
Que Nossa Senhora interceda por um Brasil menos dividido, onde as diferenças não sejam transformadas em armas, onde a intolerância não fale mais alto do que a razão e onde a solidariedade seja maior do que o desejo de confronto.
E que sua bênção alcance também aqueles que governam o nosso país, os estados e os municípios. Que nossos governantes tenham sabedoria para decidir, responsabilidade para administrar os recursos públicos e sensibilidade para enxergar a realidade de quem mais precisa. Que jamais se esqueçam de que, por trás dos números, dos discursos e das disputas pelo poder, existem pessoas que esperam por saúde, educação, segurança, trabalho e dignidade. Que o compromisso com o bem comum esteja sempre acima dos interesses pessoais e das conveniências políticas.
Porque a fé não deve nos ensinar apenas a pedir. Deve nos ensinar também a agradecer, a perdoar, a respeitar e, sobretudo, a cuidar uns dos outros.
Talvez seja esse um dos maiores desafios do nosso tempo: compreender que não precisamos pensar igual para viver em paz. Que a religião não pode ser motivo de divisão, mas inspiração para a fraternidade. E que nenhuma disputa deve nos fazer perder a capacidade de reconhecer a dignidade do outro.
Neste 12 de outubro, que cada devoto encontre em Nossa Senhora Aparecida o conforto de que precisa e a força para continuar caminhando.
Que seu manto cubra as famílias brasileiras, proteja nossas crianças, console os que sofrem e renove a esperança daqueles que já estão cansados de esperar por dias melhores. E que ela rogue especialmente pelo nosso Brasil e por seus governantes, para que a justiça, a paz e a responsabilidade prevaleçam.
