EDITORIAL | FATO REAL
Em Conselheiro Lafaiete, a energia elétrica parece ter adquirido vontade própria. Acende, apaga, volta, pisca e cai novamente. Nesta semana, moradores de vários bairros relataram uma sequência de interrupções que deixou famílias preocupadas e irritadas.
São João, Santa Matilde, Santa Maria, Santuário, Cachoeira, Manoel de Paula, Benjamin Constant, BNH, Paulo VI, Lourdes, JK, Santa Efigênia e outras regiões apareceram nos relatos enviados à imprensa e nas redes sociais.
Em alguns locais, a energia teria caído várias vezes no mesmo dia. Houve morador relatando seis interrupções. Outro afirmou que uma geladeira foi danificada. São relatos que precisam ser apurados, mas que revelam um problema concreto: a população está cansada de conviver com uma rede que, segundo os próprios moradores, apresenta oscilações recorrentes.
E aqui está o ponto central. Não basta a energia voltar. É preciso saber por que caiu, por que voltou a cair e o que será feito para evitar a próxima interrupção.
A própria Cemig informa que as interrupções podem ter diferentes causas, desde manutenção e defeitos na rede até problemas provocados por fatores externos. Existe ainda um dado importante. A Cemig anunciou investimentos de R$ 438 milhões em manutenção preventiva em Minas Gerais em 2026, além de R$ 4,9 bilhões em obras de melhoria do sistema elétrico.
Mas a pergunta de Lafaiete é simples: quanto desse investimento está chegando efetivamente à rede que atende a cidade? Há também uma obra estrutural relevante. A Agência Nacional de Energia Elétrica autorizou, em julho deste ano, a desapropriação de uma área para implantação da Subestação Conselheiro Lafaiete 2, de 138 kV.
A obra pode representar reforço importante para o sistema elétrico local. Mas ela não pode ser tratada como uma resposta automática para cada apagão registrado hoje.
A nova Subestação Entre Rios de Minas 1 também está em construção, com previsão de operação em dezembro de 2026. O empreendimento terá 15 MVA e uma linha de 138 kV até a Subestação Conselheiro Lafaiete 1. A expectativa é melhorar o atendimento daquela região e aliviar parte da carga do sistema.
Ou seja, existem obras anunciadas e investimentos em andamento. Mas obra futura não apaga problema presente. E tem mais. Quando a energia pisca repetidamente, não está em jogo apenas o conforto de uma casa. Estão em risco equipamentos eletrônicos, computadores, sistemas comerciais, alimentos refrigerados e a rotina de empresas e serviços. A discussão sobre eventual ressarcimento por danos elétricos também não pode ser tratada no grito.
Lafaiete, portanto, precisa de respostas objetivas. Quantos consumidores foram atingidos? Quantas ocorrências semelhantes foram registradas nos últimos meses? Quais investimentos estão previstos especificamente para a cidade? E quando a população poderá perceber, na prática, a melhoria anunciada?
Porque, para quem está no escuro, discurso bonito não acende lâmpada. A população quer luz. E quer que ela permaneça acesa.
