EDITORIAL | FATO REAL
A eleição de 2026 começa a produzir um fenômeno que vai além da disputa presidencial. Em Conselheiro Lafaiete, o movimento nacional de partidos que evitam fechar apoio antecipado a um único projeto também encontra reflexo na política municipal. A lógica nem sempre é simples: prefeitos precisam conversar com diferentes grupos para garantir recursos, enquanto deputados precisam de votos para sobreviver politicamente. No meio desse jogo, a neutralidade pode ser estratégia, não ausência de posição.
O prefeito Leandro Chagas, chegou ao poder em uma composição ampla que reuniu PRD, PP, PSD, PL e Novo. Agora, a configuração política já apresenta novos alinhamentos. O deputado Glaycon Franco, que esteve em campo adversário na eleição municipal de 2024, aparece novamente próximo ao grupo que administra a cidade e se movimenta para disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa. É a versão regional da política brasileira: adversários de ontem podem ser aliados de amanhã, dependendo do calendário eleitoral.
Lafaiete também tem recebido parlamentares de diferentes campos. Samuel Viana anunciou o repasse de recursos federais para o município, em indicação conjunta com o senador Carlos Viana. Doorgal Andrada mantém interlocução com a administração e esteve ao lado de Leandro Chagas em agendas que envolveram recursos e projetos para a cidade. Christiano Xavier chegou a receber o título de Cidadania Honorária concedido pela Câmara Municipal, enquanto emendas de parlamentares de diferentes partidos, como Ana Pimentel e Padre João do (PT), aparecem na pauta do município.
E aqui está a questão que merece atenção: Lafaiete terá muitos candidatos ou conseguirá concentrar votos em poucos nomes? A própria movimentação local já aponta para uma disputa pulverizada. Glaycon Franco e Damires Rinarlly são candidatos a deputado estadual. Erivelton Jayme, por sua vez, lançou sua candidatura a deputado federal e destaca sua articulação com lideranças estaduais e nacionais. O desafio para Lafaiete será transformar a multiplicidade de alianças em representação eleitoral. Porque receber deputado, tirar foto, anunciar emenda e agradecer recurso é uma coisa. Eleger deputado é outra completamente diferente.
