Uma audiência pública realizada na quarta-feira (09), na Câmara Municipal de Conselheiro Lafaiete, colocou o CORE-MG no centro de uma forte cobrança política após relatos de pacientes submetidos a longas esperas por transferências hospitalares. À frente dos esclarecimentos de dúvidas sobre o sistema esteve Renato Soares dos Reis, da Superintendência Regional de Saúde de Barbacena, da qual Lafaiete e cidades da região são subordinadas
O caso mais grave foi apresentado pela vereadora de Ouro Branco, Bruna D’Ângela, que afirmou que o pai morreu enquanto aguardava uma transferência durante a transição do SUS Fácil para o novo sistema estadual de regulação. A discussão reuniu vereadores e profissionais de saúde de Lafaiete, Ouro Branco, Queluzito e outros municípios.
Relatos colocam números oficiais à prova
Bruna D’Ângela, vereadora de Ouro Branco deu um depoimento forte e pessoal. Ela relatou que o pai passou por sucessivos exames enquanto aguardava a transferência e que uma decisão judicial determinou ao Estado que providenciasse o encaminhamento em 72 horas. Segundo ela, a vaga não foi liberada no prazo, e na janela de adaptação da CORE o pai faleceu. A família cogitou processar o Estado, porém desistiu diante do aumento do sofrimento da família, que teria que autorizar uma exumação. O depoimento ganhou peso político porque expôs a distância entre a lógica administrativa da regulação e a realidade enfrentada por famílias diante de um paciente em estado grave.
O vereador Samuel Carlos, em sessão da Câmara nesta quinta-feira (10) fez pronunciamento também forte ao relatar o quanto vereadores são procurados por familiares de pacientes em desespero e nada podem fazer. Ele citou o caso de uma paciente que permanecia havia 12 dias na UPA de Lafaiete aguardando transferência, mesmo após tentativas da família, atuação de vereadores e recurso à Justiça. Situação semelhante já havia sido registrada na cidade em agosto, quando uma paciente com derrame pleural aguardava vaga para realizar pleuroscopia e a família recorreu à Defensoria Pública.
A Câmara chegou a aprovar uma moção de repúdio à forma de implantação do CORE Saúde MG, citando problemas operacionais relatados por municípios, profissionais, pacientes e entidades da saúde.

CORE
O CORE-MG substituiu o SUS Fácil e passou a concentrar a regulação estadual de leitos, transferências e procedimentos. O próprio Legislativo de Lafaiete já havia aprovado o Requerimento 448/2026 para discutir os impactos da mudança na região. A justificativa apontava reclamações sobre demora em leitos, urgências e procedimentos. Em maio, a Santa Casa de Barbacena informou que a regulação passou a ser definida pelo sistema estadual, segundo critérios clínicos, prioridade e disponibilidade de vagas.
