EDITORIAL | FATO REAL
Há momentos em que uma cidade fala mais alto por meio da arte do que por qualquer discurso político. A abertura da fase nacional do XXIV Festival de Artes Cênicas de Conselheiro Lafaiete mostrou exatamente isso. O FACE não é apenas um festival. É um patrimônio cultural que atravessa gerações e projeta o nome da cidade para todo o Brasil.
A homenagem ao médico, escritor e poeta Dr. Carlos Reinaldo de Souza simboliza o encontro entre duas vocações que transformam vidas: cuidar das pessoas e cultivar a sensibilidade. Sua fala emocionada lembrou que o maior reconhecimento não está nos prêmios, mas no carinho e na gratidão da comunidade.
Também merece destaque o reconhecimento ao legado do professor Geraldo Lafayete, cuja dedicação fez nascer um projeto que permanece vivo há mais de duas décadas. A criação da Comenda Geraldo Lafayete e a destinação de recursos públicos para fortalecer o festival mostram que cultura e educação caminham lado a lado quando existe compromisso com o futuro.
Enquanto muitas cidades ainda tratam a cultura como um gasto, Lafaiete demonstra que ela também é investimento. Festivais movimentam a economia, atraem visitantes, fortalecem o comércio, valorizam artistas e oferecem oportunidades para crianças e jovens.
O desafio agora é garantir que esse incentivo não dependa apenas de uma edição ou de um mandato. O FACE merece planejamento permanente, participação da iniciativa privada e políticas públicas que assegurem sua continuidade. Afinal, cidades que preservam sua cultura preservam também sua memória, sua identidade e sua capacidade de sonhar.
Na vida, como no teatro, as cortinas sempre se fecham. O que permanece é a história que cada geração decide deixar para a próxima. Hoje, Lafaiete mostra que escolheu deixar um legado de arte, educação e humanidade.
