O governo dos Estados Unidos confirmou nesta quarta-feira (15) a aplicação de uma nova tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, ampliando a disputa comercial entre os dois países. A medida foi adotada após a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), iniciada em 2025 por determinação do presidente Donald Trump.
Segundo o governo norte-americano, a decisão tem como base a Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, utilizada para apurar práticas consideradas prejudiciais às empresas americanas. O relatório do USTR aponta críticas à política brasileira de comércio digital, tarifas preferenciais, proteção à propriedade intelectual, combate à corrupção, acesso ao mercado de etanol e ações relacionadas ao desmatamento ilegal. As autoridades brasileiras rejeitam essas justificativas e sustentam que as regras adotadas pelo país seguem padrões internacionais e não configuram concorrência desleal.
A nova tarifa se soma às restrições comerciais anunciadas anteriormente por Trump, aprofundando um cenário de tensão entre Brasília e Washington. Durante a consulta pública promovida pelo USTR, entidades empresariais brasileiras e norte-americanas defenderam a revisão da medida, argumentando que a taxação pode elevar custos para empresas dos próprios Estados Unidos e comprometer cadeias produtivas integradas. Alguns produtos estratégicos permaneceram fora da lista de sobretaxação por serem considerados essenciais ao mercado americano.
Enquanto o governo brasileiro mantém negociações diplomáticas para reduzir os efeitos da decisão, a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda avalia que o impacto sobre a economia nacional tende a ser limitado no conjunto do PIB, embora alguns segmentos exportadores possam enfrentar perdas mais significativas.
A definição dos produtos atingidos e a reação oficial do Brasil deverão orientar os próximos capítulos da disputa comercial entre as duas maiores economias do continente.
