A interrupção dos atendimentos de terapia e psicologia para 32 crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), em Conselheiro Lafaiete, levou familiares a cobrarem esclarecimentos da Secretaria Municipal de Saúde nesta quinta-feira (03).
Em reunião com representantes da Associação de Familiares e Autistas Unidos pelo Autismo (AFAUPA), o secretário municipal de Saúde, Rodrigo Souza Santos, informou que o contrato firmado com a clínica CREAN foi encerrado no último dia 30 e, por impedimentos administrativos e jurídicos, não pode ser renovado nem receber aditivo. Até a conclusão de um novo processo de credenciamento, os pacientes permanecerão sem assistência terapêutica.
Durante o encontro, que contou com a participação de mães, pais e da equipe técnica da Secretaria de Saúde, foi informado que a Prefeitura prepara um credenciamento público, com validade de até cinco anos, permitindo que qualquer clínica habilitada possa prestar os serviços. A documentação será encaminhada ao Conselho Municipal de Saúde (CMS) para análise e aprovação. Segundo a administração, a previsão é que o procedimento seja concluído entre 15 e 20 dias, possibilitando a retomada dos atendimentos no início de agosto.
As famílias relataram que a interrupção das terapias pode provocar regressão no desenvolvimento das crianças e adolescentes, comprometendo avanços conquistados ao longo do tratamento contínuo. O acompanhamento multiprofissional é amplamente recomendado por diretrizes clínicas para pessoas com TEA, por favorecer o desenvolvimento da comunicação, da interação social e da autonomia, especialmente quando realizado de forma regular e sem interrupções prolongadas.
A AFAUPA atua em Lafaiete desde 2013 e, nos últimos meses, já havia alertado para dificuldades na manutenção de projetos voltados ao atendimento de pessoas com autismo no município.
