EDITORIAL | FATO REAL
Na última quinta-feira (24), a equipe do GRAD Brasil – Grupo de Resposta a Animais em Desastres – estava em Conselheiro Lafaiete. Em entrevista à Rádio Iris FM conversava sobre prevenção e proteção animal em Congonhas e preparação para desastres. Poucos dias depois, o destino mudou completamente. Hoje, esses mesmos voluntários estão na Venezuela, onde o tempo é medido em vidas que ainda podem ser salvas.
Ao lado dos bombeiros militares, da Defesa Civil e de equipes internacionais, eles enfrentam um cenário de destruição provocado pelos terremotos que atingiram o país. A missão brasileira já iniciou as buscas, utilizando cães farejadores, drones, sensores e equipamentos de alta tecnologia para localizar sobreviventes entre os escombros. O Governo Federal também ampliou o envio de bombeiros, equipamentos e ajuda humanitária para reforçar as operações.
Há quem enxergue apenas um gesto diplomático. Mas a resposta vai muito além da política. Quando uma tragédia acontece, a nacionalidade perde espaço para a humanidade. O sofrimento não precisa de passaporte. A dor de uma família venezuelana é compreendida por quem já enfrentou enchentes, rompimentos de barragens e outras catástrofes aqui em Minas Gerais.
E há um detalhe que merece atenção. O GRAD saiu da nossa região praticamente direto para uma das maiores operações humanitárias deste ano. Isso mostra que o trabalho realizado não é apenas uma palestra ou uma visita institucional. É preparação permanente para agir quando o mundo mais precisa.
É verdade que nenhuma equipe consegue resolver, sozinha, uma tragédia dessa dimensão. Mas também é verdade que cada resgate representa uma família que volta a ter esperança. Em operações desse tipo, experiência, planejamento e solidariedade caminham juntos.
Talvez essa seja a maior lição deste momento. Em tempos marcados por divisões e conflitos, ainda existem pessoas que atravessam fronteiras sem buscar reconhecimento, apenas para estender a mão a quem perdeu tudo.
Que esse exemplo inspire governos, instituições e também cada cidadão. Porque a reconstrução começa com máquinas e equipamentos, mas só se completa quando existe compaixão. E essa continua sendo a força mais poderosa que a humanidade conhece.
