A revista britânica The Economist colocou Minas Gerais no centro do debate nacional ao publicar uma análise que classifica as finanças do estado como estando em “ruínas” e alerta para o desafio que será enfrentado pelo próximo governador eleito em outubro. Segundo a publicação, o futuro chefe do Executivo terá a tarefa de promover cortes significativos de gastos para recuperar a capacidade financeira do estado, considerado um retrato fiel da realidade brasileira em aspectos geográficos, econômicos e sociais.
A reportagem destaca que Minas, segundo estado mais populoso do país, tem papel decisivo no cenário político nacional desde a redemocratização, mas permanece frequentemente fora dos holofotes. O texto aponta que o principal fator por trás da fragilidade fiscal seria o acúmulo de déficits relacionados às aposentadorias e pensões ao longo dos anos. Para a revista, o peso dos juros e das obrigações financeiras reduz a margem de investimento e limita a capacidade do governo de ampliar políticas públicas e obras estruturantes.
Além da situação das contas públicas, a publicação faz críticas à infraestrutura estadual. As condições de parte da malha rodoviária mineira foram citadas como entrave ao desenvolvimento econômico. O texto também questiona o modelo econômico baseado na exportação de matérias-primas como minério de ferro, nióbio e grafite, argumentando que boa parte da riqueza produzida em território mineiro deixa o estado sem gerar valor agregado proporcional à sua relevância econômica.
Em resposta, o Governo de Minas contestou as conclusões da revista e atribuiu os problemas fiscais ao cenário herdado de administrações anteriores. Em nota, o Executivo afirmou que vem conduzindo um processo de reorganização financeira baseado em responsabilidade fiscal, controle de despesas, modernização da arrecadação e regularização do fluxo de pagamentos.
