Com a desistência do senador Rodrigo Pacheco da corrida ao Governo de Minas em 2026 mudou o cenário político no estado e abriu espaço para o avanço do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil nas articulações da base do presidente Lula. Nos bastidores, dirigentes do PT já tratam Kalil como o nome mais viável para ocupar o vazio deixado por Pacheco, que era visto até então como principal aposta para enfrentar a direita mineira nas eleições estaduais.
A avaliação interna do partido é que o recuo de Pacheco fragiliza o projeto de construção de um palanque forte para Lula em um dos maiores colégios eleitorais do país. Integrantes da legenda passaram a defender uma chapa menos associada aos extremos ideológicos, com foco na ampliação do diálogo com setores de centro e eleitores moderados.
Nesse desenho político, ganha força uma composição entre Kalil e a prefeita de Contagem, Marília Campos, cotada para disputar uma vaga ao Senado. A movimentação ocorre em meio à reorganização do campo governista mineiro, ainda sem definição clara de liderança para 2026.
A decisão de Pacheco obriga o PT a acelerar negociações para evitar fragmentação interna e perda de espaço diante do grupo político do ex-governador Romeu Zema e de setores ligados ao bolsonarismo. O temor entre aliados de Lula é que Minas volte a se tornar território desfavorável para o governo federal durante a campanha presidencial.
Enquanto o tabuleiro político se rearranja, Kalil tenta retomar protagonismo estadual com discurso voltado à gestão pública e proximidade popular. Pesquisas recentes já colocam o ex-prefeito entre 14% e 18% das intenções de voto em cenários para o governo mineiro, consolidando seu nome entre os mais competitivos fora do campo conservador.
A indefinição sobre a sucessão em Minas expõe a dificuldade do governo federal em construir unidade no estado e amplia a disputa por espaço dentro da própria base aliada.
