A concentração de serviços públicos em Barbacena voltou ao centro do debate regional e intensificou críticas sobre o que moradores e lideranças classificam como anos de retrocesso para Conselheiro Lafaiete e cidades do Alto Paraopeba. Pacientes oncológicos, servidores da educação e usuários do sistema público continuam enfrentando viagens superiores a 100 quilômetros para acessar perícias médicas, tratamentos especializados e serviços administrativos que já chegaram a funcionar mais próximos da população.
Com a aproximação do período pré-eleitoral, o tema voltou aos bastidores políticos e reacendeu cobranças sobre estruturas implantadas em Lafaiete durante gestões anteriores, mas que perderam espaço após mudanças promovidas pelo Estado. A principal reclamação envolve a centralização dos atendimentos em Barbacena, ampliando custos, desgaste físico e dificuldades para moradores de toda a região.
Na área da educação, servidores estaduais de municípios como Conselheiro Lafaiete, Santana dos Montes, Piranga e Catas Altas da Noruega precisam se deslocar até Barbacena para validar afastamentos médicos e participar de perícias presenciais. Em muitos casos, trabalhadores deixam comunidades rurais ainda de madrugada para cumprir exigências burocráticas consideradas excessivas.
O fim da estrutura que funcionava junto à Superintendência Regional de Ensino de Lafaiete também voltou a ser alvo de críticas. A unidade havia sido criada justamente para reduzir deslocamentos e aproximar o atendimento dos servidores da região, mas perdeu funcionalidade nos últimos anos.
Na saúde, a situação também gera forte desgaste. Pacientes em tratamento contra o câncer continuam dependendo de viagens frequentes para consultas, exames e sessões de quimioterapia em Barbacena. Muitos saem de Lafaiete, mesmo debilitados pelo tratamento.
Outra cobrança envolve a antiga farmácia regional instalada no bairro Albinópolis, em Lafaiete. O espaço havia sido estruturado para distribuição de medicamentos de alto custo e atendimento especializado, mas perdeu capacidade de funcionamento após alterações administrativas promovidas pelo Estado.
Diante da pressão regional, a Prefeitura de Lafaiete anunciou neste ano a implantação de um serviço de oncologia no município, vinculado ao Hospital Ibiapaba, em Barbacena. A medida busca reduzir deslocamentos e amenizar o sofrimento de pacientes. Mesmo assim, Barbacena continua sendo a principal referência regional para atendimentos de média e alta complexidade. O cenário fortalece o discurso político de perda de autonomia regional e amplia críticas sobre a dificuldade de descentralização dos serviços públicos.
Nos bastidores, o discurso de “anos de retrocesso”, aponta que a concentração dos atendimentos representa um símbolo do enfraquecimento estrutural e político da região nos últimos anos. Enquanto o Hospital Regional segue entre obras, promessas e indefinições, pacientes e servidores convivem com viagens longas, demora nos atendimentos e a sensação crescente de abandono.
