Moradores da região da Barreira, em Conselheiro Lafaiete, relatam rotina de risco e precariedade para conseguir atendimento no ESF Santa Cruz. Na madrugada desta sexta-feira (10), adultos e até idosos enfrentaram chuva, escuridão e falta de estrutura básica para tentar garantir uma das poucas fichas médicas distribuídas semanalmente.
Segundo relatos dos usuários, o problema é recorrente. A fila começa ainda durante a madrugada. Há registros de pessoas chegando por volta das 3h no posto de saúde, localizado às margens da rodovia BR-040, considerado perigoso pelos próprios moradores. O local não possui cobertura, bancos para descanso, água potável ou acesso a banheiro. Em períodos de chuva, a situação se agrava e expõe os pacientes a frio e umidade.
A principal queixa é a limitação no número de atendimentos. De acordo com moradores, apenas cerca de 15 a 30 fichas são liberadas por semana para consulta com clínica geral. A quantidade é considerada insuficiente diante da demanda crescente da região, que atende não apenas o bairro Barreira, mas também comunidades próximas. Muitos pacientes retornam para casa sem atendimento após horas de espera.
A situação impacta diretamente pessoas que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS) para exames e tratamentos. Há relatos de pacientes aguardando encaminhamentos para fisioterapia e outros procedimentos, sem conseguir sequer a primeira consulta necessária para dar início ao processo. O modelo atual, que exige múltiplas consultas para exames e retornos, amplia o tempo de espera e gera frustração entre os usuários.
Moradores também apontam riscos à segurança. A região é descrita como vulnerável a assaltos durante a madrugada, com pouca iluminação e presença de matagal ao redor da unidade. Idosos, que formam grande parte da fila, são considerados os mais expostos. O medo de violência tem levado alguns pacientes a desistirem do atendimento por receio de permanecer no local.

A situação motivou a atuação da Comissão de Saúde da Câmara Municipal, que realizou fiscalização no início da semana nas unidades do bairro, incluindo o ESF e o Centro Regional de Saúde. A visita identificou problemas estruturais, infiltrações, necessidade de manutenção no telhado e falta de equipamentos.
Outro ponto considerado crítico foi a suspensão do atendimento odontológico há cerca de três meses, devido à ausência de autoclave em funcionamento. Também foram relatadas dificuldades no acesso ao exame preventivo feminino, o que amplia a preocupação com a saúde das mulheres da região.

Durante a fiscalização, os vereadores Roger Diego e Gina Costa relataram ainda a presença de rachaduras provocadas por raízes de árvores próximas à estrutura do prédio, além da necessidade de melhorias nas condições de trabalho dos profissionais da unidade, que carecem de mobiliário adequado para armazenamento de materiais e pertences.
A pressão popular aumentou após a divulgação de vídeos e relatos nas redes sociais e em grupos comunitários. As imagens mostram filas extensas em plena madrugada e reforçam o sentimento de abandono relatado pelos moradores. Muitos afirmam que a precariedade no atendimento básico contribui para a sobrecarga da UPA de Lafaiete, já que casos simples acabam sendo direcionados para o atendimento de urgência.
A comunidade cobra ampliação do número de médicos, aumento da oferta de fichas e criação de um sistema mais organizado de agendamento. Também pedem melhorias imediatas na estrutura externa do posto, com instalação de cobertura, assentos e medidas de segurança para evitar riscos à população.
