A sessão na Câmara Municipal de Conselheiro Lafaiete dessa terça-feira (07), foi marcada por troca de críticas entre vereadores e vereadoras após o retorno ao debate sobre violência política contra a mulher. O tema ganhou força depois do episódio envolvendo a procuradora-geral do município, Andréa Chagas, que denunciou episódio de violência de gênero e ameaça sofridas durante uma reunião do Conselho Municipal de Saúde.
O assunto voltou à tribuna durante pronunciamento da vereadora Gina Costa, que destacou que situações de desrespeito a mulheres em cargos públicos revelam fragilidades institucionais ainda presentes e não se resume a ataques isolados, mas reflete um ambiente que ainda impõe barreiras à participação feminina.
A parlamentar relembrou que, no ano passado, ela e as vereadoras Cida Toledo, Simone do Carmo e Damires Rinarlly apresentaram um projeto que instituía a política municipal de enfrentamento à violência política contra a mulher. A proposta gerou amplo debate interno, foi aprovada pelo Legislativo, mas acabou vetada pelo Poder Executivo com apontamento de vício de iniciativa. O texto não criava cargos nem estrutura administrativa, apenas diretrizes de prevenção e enfrentamento.
A vereadora Simone do Carmo reforçou a necessidade de políticas públicas específicas e ressaltou que o veto impediu a criação de uma legislação considerada essencial para proteger mulheres em espaços institucionais. O discurso foi reforçado por falas também de Damires Rinarlly.
Durante a sessão, o clima ficou mais acirrado após manifestações que questionaram o tom do debate e apontaram possível divisão entre homens e mulheres no plenário. O vereador Pastor Angelino pediu coerência nas manifestações públicas e afirmou que qualquer grupo religioso ou social deve ser respeitado, apontando que outros episódios recentes não teriam recebido mesmo posicionamento das vereadoras. Em resposta, a vereadora Damires Rinarlly criticou atitudes que, segundo ela, demonstram incoerência entre discursos e práticas. A parlamentar afirmou que mulheres não precisam de autorização para se posicionar e destacou que a presença feminina em cargos públicos representa avanço histórico conquistado por meio da confiança do eleitorado.
Ao final das manifestações, Erivelton Jayme buscar dar um tom conciliador às discussões com a proposta de elaboração de uma moção de repúdio conjunta dos vereadores e vereadoras, com o objetivo de condenar episódios recentes que envolveram denúncias de desrespeito e intolerância contra mulheres. Também foi sugerida a gravação de um posicionamento coletivo da Casa para reforçar a unidade institucional.
Como encaminhamento, as quatro vereadoras reapresentaram a proposta da criação da política municipal de enfrentamento à violência política contra a mulher, porém desta vez, como anteprojeto ao Executivo, seguindo o rito administrativo apontado como adequado no veto anterior. Diante de cobranças de que os homens da Casa Legislativa não foram convidados a assinar o documento, o anteprojeto, que ainda não havia sido protocolado, terminou por ser assinado também por eles.
