A Polícia Civil de Minas Gerais realizou uma operação de grande porte em Nova Serrana e Ouro Branco, cidades apontadas como bases estratégicas de uma organização criminosa voltada à produção e venda de tênis falsificados. A ação resultou na apreensão de mais de 15 mil pares de calçados com indícios de irregularidade e no bloqueio judicial de cerca de R$ 10 milhões em contas ligadas aos investigados.
A operação, denominada Relicário, foi deflagrada após cerca de dois anos de investigações conduzidas pela Polícia Civil. O trabalho começou a partir de denúncias que indicavam a comercialização em larga escala de produtos falsificados, principalmente por meio de plataformas digitais. Ao longo das apurações, os investigadores identificaram uma estrutura organizada, com divisão clara de funções entre os municípios envolvidos.
Segundo a corporação, Nova Serrana, reconhecida nacionalmente como polo da indústria calçadista, concentrava a etapa de fabricação dos produtos falsificados. Já em Ouro Branco, as atividades estavam voltadas à logística e ao comércio dos itens, incluindo armazenamento e distribuição dos calçados que eram enviados a consumidores em diferentes regiões do país.
Durante a operação, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão nas duas cidades. Além da grande quantidade de produtos recolhidos, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões em contas vinculadas aos investigados, medida considerada essencial para interromper o fluxo financeiro do esquema.
As investigações também apontaram o uso de empresas de fachada para ocultar a identidade dos responsáveis pelas atividades ilegais e para movimentar os valores obtidos com a venda dos produtos falsificados. Pelo menos 14 pessoas são alvo direto das apurações conduzidas pelas autoridades.
Apesar da dimensão da operação e do volume de materiais apreendidos, até o momento não houve prisões. A Polícia Civil informou que o trabalho segue em andamento, com análise detalhada dos itens recolhidos e aprofundamento das investigações para identificar os responsáveis pela liderança do grupo criminoso e mapear possíveis ramificações do esquema em outras localidades.
