O modelo híbrido de gestão adotado pelo Estado levanta questionamentos no meio político e na área da saúde pública. Enquanto Divinópolis passa a operar sob gestão da Universidade Federal de São João del-Rei, Teófilo Otoni segue com administração concedida a uma instituição filantrópica. Na prática, o Estado experimenta duas estratégias diferentes para colocar em funcionamento hospitais regionais que ficaram anos inacabados.
O novo modelo adotado em Divinópolis cria um hospital público voltado ao ensino, pesquisa e atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Para analistas da área de saúde pública, a presença de hospitais universitários tende a ampliar a qualidade do atendimento e a formação de profissionais. A integração entre assistência e ensino fortalece o SUS e amplia a capacidade de inovação na rede pública.
Já o Hospital Regional de Teófilo Otoni a gestão foi concedida ao Instituto Mário Penna após licitação realizada em 2021. O contrato firmado prevê concessão de até 35 anos, com responsabilidade pela gestão e pela prestação de serviços assistenciais.
Ainda assim, a comparação entre os modelos acende um alerta político. Se por um lado a federalização em Divinópolis acelera a estruturação da unidade, por outro o modelo de concessão em Teófilo Otoni indica que o governo estadual busca alternativas para dividir custos de gestão e manutenção da rede hospitalar.
A discussão ganha peso quando se observa o cronograma das obras ainda em andamento. Hospitais regionais estratégicos seguem em construção em Governador Valadares, Sete Lagoas e Conselheiro Lafaiete, com previsão oficial de conclusão até o fim de 2026.
No caso de Lafaiete, o cenário ainda gera expectativa e cautela. A região aguarda há anos uma estrutura capaz de reduzir a dependência de centros maiores como Belo Horizonte. A experiência de Divinópolis e Teófilo Otoni passa a funcionar como termômetro político e administrativo.
O modelo de gestão que será adotado no Hospital Regional de Lafaiete caminha para ser o de concessão a entidade filantrópica, como já anunciado pelo Governo com definição prevista para esta terça-feira (30). A sessão pública para escolha do responsável pela gestão pode definir não apenas o futuro da unidade, mas o rumo da política hospitalar nos próximos anos.
