A sessão da Câmara Municipal recebeu, nesta quinta-feira (12), na tribuna popular, a participação de Bárbara da Silva Costa Mota, representante do coletivo Resistência Feminina . Bárbara utilizou o espaço para abordar a realidade das mulheres, a importância do acesso à saúde pública e a própria trajetória marcada pela luta contra doenças crônicas e pela defesa do Sistema Único de Saúde (SUS). O convite faz parte das comemorações do mês dedicado às mulheres, quando as quatro vereadoras convidam pessoas para uso do espaço.
Com fala marcada por emoção e firmeza, Bárbara relatou parte da sua vida como comunicadora, produtora cultural, professora de balé em projetos sociais e militante do coletivo Resistência Feminina. Também destacou sua condição de paciente renal crônica e usuária do SUS.
Desde a infância, Bárbara convive com lúpus, doença autoimune que provoca ataques do próprio organismo contra o corpo. Segundo ela, esse diagnóstico representou uma das primeiras grandes batalhas de sua vida. Muito jovem ela perdeu as funções renais e passou a depender da hemodiálise para sobreviver; fez um transplante, mas voltou à condição crônica, e há 12 anos, mantém uma rotina rígida de tratamento, com sessões frequentes em clínica especializada, enquanto espera em uma longa e lenta fila de doação de órgãos no Brasil.

Durante o discurso, Bárbara afirmou que a própria sobrevivência está diretamente ligada ao atendimento oferecido pelo sistema público de saúde. Ela ressaltou que o SUS garantiu diagnóstico, tratamento e acompanhamento médico ao longo de toda a sua trajetória, além do transplante.
Ao longo desses anos, Bárbara também passou a atuar como voz ativa dentro do ambiente de tratamento. Segundo ela, pacientes muitas vezes enfrentam desafios que vão além da doença, como transporte até a clínica, alimentação e condições adequadas durante as sessões de hemodiálise.
Bárbara também relacionou sua experiência pessoal com os desafios enfrentados pelas mulheres na sociedade. Segundo ela, a rotina feminina costuma ser marcada por jornadas múltiplas, responsabilidades familiares e enfrentamento constante de desigualdades.
Em outro momento, ela relatou ter vivido uma situação de violência doméstica enquanto lidava com a própria condição de saúde. A superação, foi possível graças à rede de apoio formada por outras mulheres, amigos, familiares e pelo acolhimento recebido na Delegacia da Mulher.

Para Bárbara, a expressão “mulheres salvam mulheres” resume a importância da solidariedade feminina em momentos de crise e reconstrução da vida.
Dia do rim
A participação na tribuna coincidiu com o “Dia Mundial do Rim”, celebrado em 12 de março. A data foi lembrada como um momento importante para alertar sobre doenças renais, que muitas vezes evoluem de forma silenciosa. Bárbara destacou a importância da prevenção e da realização de exames simples, como o teste de creatinina, disponível no SUS. O exame pode indicar alterações na função renal e permitir diagnóstico precoce.
Ao encerrar o discurso, ela reforçou que continuará utilizando sua voz para defender a vida, a saúde pública e os direitos das mulheres. Segundo Bárbara, mesmo diante da fragilidade da vida, a vontade de viver e lutar pode ser ainda maior.
