A situação da Igreja de Santo Antônio dominou o debate na Câmara Municipal de Conselheiro Lafaiete na noite desta quinta-feira (26), durante audiência pública convocada para discutir a manutenção e a conservação do templo religioso, tombado como patrimônio cultural do município desde 2002.
O encontro reuniu vereadores, representantes da Irmandade de Santo Antônio, secretários municipais e integrantes do Conselho Municipal de Patrimônio Histórico Cultural, Artístico e Paisagístico de Conselheiro Lafaiete (COMPHAP). O clima foi de preocupação, mas também de busca por soluções.

Ao abrir os trabalhos, a vereadora Gina Costa, autora do requerimento para a audiência, afirmou que preservar a igreja não é apenas proteger um prédio religioso. “É garantir a continuidade da nossa memória e da identidade do povo lafaietense”. Há uma memória afetiva com a igrejinha de Santo Antônio”, disse, ressaltando que a Constituição Federal atribui a União, Estados e Municípios a responsabilidade compartilhada pela proteção de bens históricos e culturais.

A Igreja de Santo Antônio é propriedade privada da Irmandade, mas o tombamento municipal impõe dever de preservação com responsabilidade compartilhada do poder público. O Conselho de Patrimônio esclareceu que, por se tratar de tombamento municipal, não é necessária autorização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) para as intervenções necessárias.
Medidas paliativas
Há uma Ação Civil Pública em andamento envolvendo o município e a Irmandade. Em 2025, foi firmado acordo prevendo medidas paliativas. Entre elas, a aquisição de uma nova lona e a recuperação do telhado. Há expectativa de que a licitação para a obra de restauro do telhado seja concluído até abril. O custo estimado apenas para o restauro do telhado é de cerca de R$ 1 milhão. Parte da cobertura da igreja está comprometida. A colocação de uma lona no telhado seria uma ação provisória, enquanto se aguarda a conclusão da licitação. No entanto, há um impasse: A lona foi adquirida pela Prefeitura, mas a colocação seria de responsabilidade da Irmandade . A colocação exige equipamento e mão de obra qualificada.

Sugestões foram apresentadas, sendo a mais viável o apoio do Corpo de Bombeiros na instalação. O município poderá disponibilizar caminhão munk e servidores para auxiliar nos trabalhos em solo.
Já o projeto completo de restauração arquitetônica e artística da igreja está orçado em aproximadamente R$ 5,8 milhões. A Irmandade afirma não ter recursos para arcar com o valor. A busca de parcerias com o Ministério Público e iniciativa privada são alternativas. Outra frente seria a viabilidade por meio de programas federais, como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), para a restauro completo artístico e arquitetônico da igreja.
A igreja resiste ao tempo. Agora, depende de união política, mobilização social e compromisso institucional para continuar de pé.
