De um bate-papo de boteco a uma multidão de 15 mil foliões, o Bloco do Pijama construiu uma das histórias mais emblemáticas do Carnaval de Conselheiro Lafaiete. Três décadas depois do primeiro desfile, a tradição se renova. Em 2026, o bloco está de volta nesta sexta-feira (13), a partir das 20h, na rua Antônio Aureliano, no bairro Cachoeira. O evento conta com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura.
A história começou no fim de 1995, entre amigos reunidos em uma mesa de bar. A conversa virou projeto, o projeto virou bloco, e o bloco virou símbolo da cultura popular lafaietense. Sob a liderança de Guerino, o Cangaia, ao lado de José Raimundo, Edmar, Edson e Grilo, nasceu uma ideia simples de colocar a alegria na rua ao amanhecer de Carnaval.
O primeiro desfile, em 1996, reuniu cerca de 40 foliões e uma pequena caminhonete carregando músicos e sonhos. No ano seguinte, o público cresceu e exigiu um caminhão. Em 1998, o Bloco do Pijama já atraía visitantes de cidades vizinhas e reunia até 700 pessoas ao som das marchinhas tradicionais.

O crescimento foi constante. No início dos anos 2000, o bloco já superava mil participantes e se consolidava como ponto de encontro popular. Em 2002, uma tragédia interrompeu a festa popular: um grave acidente envolvendo integrantes do Bloco da Gerarda levou ao cancelamento do desfile em sinal de luto. Meses depois, a morte de Cangaia abalou a comunidade, mas também fortaleceu a decisão de seguir. “A alegria não pode parar” tornou-se lema e legado.
O retorno, em 2003, reuniu cerca de 1.300 foliões, apesar de dificuldades financeiras e desafios logísticos. A partir de 2004, sob a presidência de José Raimundo, o bloco inovou com as famosas toucas personalizadas, símbolo de identidade visual. Em 2005, o trio elétrico marcou a primeira década de história, com mais de 3 mil pessoas nas ruas.
O salto definitivo veio em 2006, com apoio da Prefeitura e estrutura ampliada. O público chegou a cerca de 8 mil foliões. Em 2007, mesmo sob o impacto da morte de um integrante, a festa reuniu aproximadamente 15 mil pessoas na rua Antônio Aureliano, consolidando o Bloco do Pijama como um dos maiores eventos carnavalescos da cidade.

Mais do que números, o bloco virou patrimônio afetivo. Marchinhas, saída ao amanhecer, fantasias improvisadas e convivência comunitária transformaram o cortejo em um ritual de pertencimento. Ao longo dos anos, a festa resistiu a crises, luto, chuvas e mudanças políticas, mantendo viva a essência do Carnaval de rua, expressão histórica da cultura popular brasileira.
Hoje, o Bloco do Pijama integra a memória coletiva de Conselheiro Lafaiete e faz parte da tradição de blocos que marcaram gerações, como Bloco do Boi, Zé Pereira e outros ícones da folia local.
Em 2026, a história se renova. A concentração será nesta sexta-feira, 20h na rua Antônio Aureliano, no bairro Cachoeira abrindo o Carnaval lafaietense com a promessa de emoção, reencontro e celebração da vida.
Por: jornalista João Paulo Rocha
