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O carisma do vazio de um discurso sem sujeito na política mineira

23 de dezembro de 2025
in Gerais
O carisma do vazio de um discurso sem sujeito na política mineira

Foto: Reprodução

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Ele abre a boca, a frase começa, tropeça, se arrasta, e quando termina ninguém entende o caminho que percorreu. É um espetáculo que mistura constrangimento e humor, como assistir um primata tentando explicar geometria. Há quem ache graça, há quem sinta pena. Mas todos ficam olhando. Eis o poder da imbecilidade em versão política.

Minas Gerais, terra de Tancredo, JK e Itamar, já ditou os rumos do Brasil. Foi coração da Inconfidência, palco da política do café com leite, berço de presidentes e de gestos que marcaram a história nacional. Hoje, no entanto, o que se vê é a ascensão de um personagem que não carrega a densidade desses antecessores, mas sim a leveza perigosa do vazio. A ausência de ideias sólidas vira justamente seu atrativo.

O Brasil sempre amou o mineiro que chega de mansinho, que fala baixo e conquista pelo jeito. Juscelino ergueu Brasília com a confiança de quem vendia um sonho. Tancredo emocionou o país ao ser eleito símbolo da redemocratização. Itamar assumiu discreto e ganhou respeito. Agora, surge a pergunta como o Estado capaz de parir gigantes políticos aceita se ver representado por um improvisador sem rumo.

A resposta pode estar no jogo de bastidores

Um político que parece simples demais, que aparenta não oferecer riscos, se torna a presa perfeita para as oligarquias. Fácil de moldar, fácil de colocar no bolso. Para quem manda, o fantoche é mais útil que o líder. E enquanto isso Minas enfrenta crises que não se resolvem: dívida histórica com a União, mineração manchada por lama e sangue, economia estagnada. A marionete sorri, improvisa e desvia.

Mas até onde vai a paciência do eleitor. Minas é termômetro do Brasil. Desde 1989 quem vence no Estado costuma vencer o país. E se o palco mineiro hoje abriga um personagem tão frágil, será que estamos diante de um sinal do que pode vir para o futuro do Brasil. Ou será que, como tantas vezes, o eleitor mineiro surpreenderá e trocará a farsa por algo mais sólido.

Há um fio de suspense no ar

O Estado que já decidiu o destino da República pode estar ensaiando mais um ato decisivo. Minas já foi farol, já foi espelho, já foi bússola. A pergunta que não cala é se continuará a iluminar caminhos ou se se perderá nas sombras de um discurso sem sujeito.

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