O corte de dois ipês com cerca de 60 anos na Praça dos Andradas, em frente ao Santuário da Piedade, no Centro de Barbacena, gerou reação popular, com críticas à condução do processo e pedidos de transparência.
Em nota oficial, a Prefeitura informou que houve solicitação formal e avaliação técnica da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Segundo o Executivo, os ipês apresentavam condições fitossanitárias desfavoráveis, com galhos secos e sinais de degradação, o que representaria risco à segurança do público em eventos de grande circulação. Com base nesses critérios, a supressão foi autorizada.
Como compensação ambiental, o Município anunciou o plantio de 20 mudas para cada árvore retirada, totalizando 40 mudas. A medida, porém, não trouxe detalhes sobre espécies, locais e prazos, o que manteve a desconfiança de parte da população e de entidades ligadas à pauta ambiental.

Antes, a Comissão de Direito Ambiental da OAB Barbacena se manifestou. Integrante do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente, a entidade solicitou reunião extraordinária para esclarecer os fatos e cobrar providências. A OAB reforçou que a retirada de vegetação depende de autorização do órgão ambiental competente e que, no âmbito municipal, as deliberações cabem ao Codema.
Na reunião, com a presença de conselheiros, secretários e representantes da Prefeitura, foram estabelecidos encaminhamentos. Entre eles, o compromisso de não realizar novas supressões sem deliberação prévia do Codema, a definição de compensações com critérios técnicos e legais e o reforço da preservação de bens públicos durante eventos.
O episódio expõe um dilema recorrente nas cidades. Como conciliar cultura e lazer com a proteção ambiental. A resposta passa por planejamento, participação social e informações claras. Árvores não são obstáculos. São patrimônio vivo e exigem cuidado permanente.
Leia mais: Ipês da Praça dos Andradas viram foco de debate ambiental
