O som vibrante da viola ecoou no Espaço Cultural José Robert, no bairro Chapada, e marcou o encerramento da primeira fase do projeto Viola e Violeiros de Queluz. Em dois dias de celebração, Conselheiro Lafaiete reviveu uma tradição quase perdida e respondeu, com vigor, Lafaiete sim, ainda fabrica a tradicional Viola de Queluz.
O evento reuniu familiares, violeiros, artesãos e amantes da cultura caipira. Entre os presentes estavam o coordenador do projeto, Reinaldo Meireles, o presidente do Iepha MG, Paulo Roberto Meireles do Nascimento, e o presidente do Conselho Municipal de Patrimônio, Luiz Otávio da Silva. Descendentes das antigas famílias fabricantes do instrumento, Alcione Meireles e Larissa Meireles também participaram, reforçando o elo histórico preservado ao longo dos séculos.
A atmosfera foi marcada por emoção e pertencimento. O público acompanhou a apresentação dos alunos do curso Saber Tocar, que, com acordes sensíveis, revelaram o resultado de meses de aprendizado. No curso Saber Fazer, o orgulho era visível. Os novos luthiers exibiram violas produzidas com técnicas do século XIX, respeitando formas, acabamentos e detalhes que tornaram a Viola de Queluz um Patrimônio Imaterial de Lafaiete.
O momento de maior simbolismo ocorreu quando o Hino Nacional ecoou em cordas de viola, tocado pelo violeiro Fabrício Viola. Um retrato vivo de resistência cultural. A entrega dos certificados selou a dedicação dos participantes e reforçou o impacto do projeto, que formou mais de 30 novos multiplicadores do saber.
Reinaldo Meireles celebrou o sucesso da iniciativa, mas lamentou a ausência de representantes da Secretaria Municipal de Cultura. “É triste ver nosso bem cultural mais famoso sem o devido reconhecimento”, destacou. O projeto cumpriu sua missão de ir além das oficinas. Levou palestras às escolas da cidade, alcançando mais de 2 mil estudantes e despertando neles o valor da preservação. O espaço cultural também ganhou nova vida, recebendo centenas de visitantes ao longo do ano.
O encerramento desta etapa não marca um fim, mas um recomeço. A Viola de Queluz voltou a vibrar onde nasceu. E Lafaiete, mais uma vez, ouviu sua própria história.
