Como já se imaginava, a ótima sequência de acessos consecutivos do Athletic pelas divisões nacionais foi interrompida em 2025. E não há motivo algum para lamentações, muito pelo contrário. Em sua primeira participação no segundo nível do futebol brasileiro, a meta era uma só: permanecer na Série B.
E o objetivo foi alcançado, ainda que com muita emoção. É verdade que o Athletic conviveu, durante praticamente todo o campeonato, com a parte de baixo da tabela. Ainda assim, desde a 16ª rodada o time estava fora da zona de rebaixamento, até voltar para ela faltando apenas três jogos para o fim da competição.
A apreensão tomou conta do torcedor. Após quatro partidas sem vitória, parecia que a estadia do Esquadrão de Aço na Série B seria breve. Mas isso não fazia justiça ao trabalho consistente do time de São João del-Rei. Apesar do risco, o comportamento do time nas rodadas decisivas mostrou capacidade de resposta.
A primeira batalha
O primeiro dos três confrontos decisivos para garantir a permanência foi contra a Ferroviária, na Arena Sicredi, em São João del-Rei: um confronto direto contra o rebaixamento. O Athletic começou bem e abriu o placar com Douglas Pelé aos 9 minutos, mas Carlão empatou para os paulistas. O drama aumentou quando Fábio Fau chegou a virar o jogo, mas o gol foi anulado por toque de mão no lance.
No último minuto, Jonathan desviou de cabeça após cobrança de falta e selou mais três preciosos pontos para o Athletic, que deixava novamente a zona da degola. O gol nos acréscimos simboliza outro traço da equipe: capacidade de competir até o último lance, característica decisiva em times que lutam contra o rebaixamento. Restavam dois desafios.
A disputa em Curitiba
E o segundo deles não poderia ser mais desafiador. Empatado em pontos com a Ferroviária, qualquer tropeço poderia recolocar o time mineiro no Z-4. Para piorar, o adversário era o líder Coritiba, fora de casa, no Couto Pereira.
Mesmo com o estádio lotado e o Coxa embalado pela possibilidade de confirmar o título diante do Athletic, o Esquadrão de Aço fez um primeiro tempo muito competitivo. Sofreu sustos, mas também levou perigo à meta defendida por Pedro Morisco. No fim, o empate por 0 a 0 adiou a festa dos paranaenses e trouxe um ponto valioso para o Athletic.
A combinação da rodada poderia ter sido cruel, mas o Athletico-PR virou no último minuto contra a Ferroviária, e o Botafogo-SP perdeu para o Criciúma. Assim, o Athletic dependeria apenas de si na última rodada.
O último desafio
Um ponto separava o Athletic da zona de rebaixamento. Era com esse cenário que o time entrou em campo, na Arena Sicredi, para enfrentar o já rebaixado Paysandu na última rodada da Série B 2025. Além do Esquadrão de Aço, Ferroviária e Botafogo-SP também disputavam a última vaga contra a queda.
O cálculo era simples: vitória e permanência garantida; qualquer outro resultado exigiria um tropeço dos concorrentes.
A emoção, porém, não faltou. Petterson abriu o placar para o Paysandu aos 8 minutos, empurrando o Athletic de volta ao Z-4. E o time sanjoanense permaneceu ali por mais de uma hora.
A reação veio com o ajuste promovido no segundo tempo e a entrada de Aléssio da Cruz, que entrou atuando muito bem e marcou os dois gols da virada. A boa atuação do atacante, aliada a competitividade e disposição coletiva, foi determinante para a permanência.
A festa da torcida na Arena Sicredi demonstrou como o ambiente criado em São João del-Rei funcionou como fator determinante, especialmente nos momentos de instabilidade.
Futuro
Com a permanência assegurada para 2026, o Athletic pode finalmente projetar o próximo ano com mais estabilidade e ambições maiores.
A trajetória do clube desde a retomada do futebol profissional segue sendo espetacular. A sequência de acessos e as grandes batalhas contra camisas tradicionais criaram, em parte da torcida, a sensação de que a escalada seria sempre natural. Mas o próprio campeonato mostrou que o acesso em 2025 seria algo improvável. E o campo confirmou.
O torcedor mais empolgado rapidamente assimilou essa realidade. O que se viu nas arquibancadas de São João del-Rei foi um apoio incondicional, especialmente nos momentos mais delicados da campanha.
A Série B exige constância, profundidade de elenco e resistência emocional. O ano de 2025 funcionou como uma espécie de calibragem: expôs limitações, mas confirmou a capacidade de resposta.
Em 2026, com a Arena disponível desde o início do torneio, a torcida poderá fazer ainda mais diferença. O próximo ano já nasce com expectativas elevadas para o sanjoanense.
O clube encerra o ano com a principal meta cumprida e com uma constatação importante: a permanência não foi obra do acaso, mas resultado de competitividade, resiliência e boa gestão de momentos decisivos. O interior mineiro seguirá representado na Série B — e, mais do que isso, o Athletic chega a 2026 mais consciente de onde está e do que precisa evoluir.
Marcos Coelho
Jornalista e apaixonado por futebol
