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Anistia, blindagem e a resposta das ruas contra a impunidade

21 de setembro de 2025
in Gerais
Anistia, blindagem e a resposta das ruas contra a impunidade

Imagem/Reprodução

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Por Marcos Ribeiro

A aprovação do regime de urgência, com 311 votos favoráveis, do projeto que trata da anistia aos  envolvidos nos atentados antidemocráticos de 8 de janeiro, permite que o texto seja analisado diretamente em plenário, sem passar pelas comissões. A pressa não é detalhe técnico. É sinal de que o jogo político no Congresso está sendo conduzido em ritmo acelerado, quase como uma corrida contra a luz do dia.

O relator já adiantou que uma anistia irrestrita é inviável e que o debate deve se concentrar em redução de penas. O texto original servirá apenas como esqueleto. O conteúdo real ainda é uma incógnita, desenhada nos bastidores, longe do olhar público.

A aprovação da urgência aconteceu pouco depois da chamada PEC da Blindagem, apelidada também de PEC da Impunidade, que amplia o foro especial e restringe a atuação da Justiça sobre parlamentares. Em duas votações, a proposta obteve mais de 340 votos favoráveis.

No plenário, o clima foi de festa após a aprovação do regime de urgência da anistia.

Do lado de fora, a reação foi de repúdio

Movimentos sociais, entidades culturais e figuras públicas convocaram protestos para este domingo, 21 de setembro. O lema é direto: sem anistia.

As pesquisas de opinião reforçam o descompasso entre sociedade e Congresso. A maioria dos brasileiros rejeita qualquer tipo de perdão aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro. Ainda assim, a pauta avança em velocidade recorde. O contraste é gritante. Enquanto a população grita contra a impunidade, parte significativa da Câmara trabalha para enterrar responsabilidades.

A voz das ruas 

O Senado e o STF acompanham atentos, mas não imunes às pressões. No horizonte, a narrativa de pacificação do país pode ser usada como manto para encobrir concessões políticas. Uma metáfora inquietante se impõe. O Parlamento parece estar construindo muralhas para si mesmo enquanto a cidadania assiste da rua, sem saber se terá voz para derrubá-las.

A pressa do Congresso pode ser lida como estratégia, mas também como sintoma de medo. Medo de enfrentar a Justiça, medo de enfrentar as urnas. O que se decide agora não é apenas o destino de quem atacou a democracia em 8 de janeiro, mas os limites do próprio Estado de Direito. O país caminha entre sombras e holofotes.

Que voz das ruas seja suficiente para interromper a marcha rumo à impunidade!

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