O ex-superintendente da Polícia Federal em Minas Gerais, Rodrigo de Melo Teixeira, foi preso nesta quarta-feira (17/09) durante a operação Rejeito, deflagrada pela PF para desarticular um esquema bilionário de corrupção em órgãos ambientais do Estado. O caso envolve fraudes em licenciamento, pagamento de propinas e uso de empresas de fachada ligadas ao setor da mineração.
Operação
A operação Rejeito, mobiliza 79 mandados de busca e apreensão e 22 mandados de prisão preventiva em Belo Horizonte e em outras cidades mineiras. O principal alvo é Alan Cavalcante do Nascimento, suspeito de ser o líder da organização criminosa. Segundo a PF, ele comandava decisões estratégicas, movimentações financeiras e articulações com servidores públicos.
As investigações revelaram ainda a participação de políticos e empresários. O ex-deputado João Alberto Paixão Lages é suspeito de ter atuado na manipulação normativa e no tráfico de influência junto a órgãos ambientais e culturais. Outro investigado é o lobista Gilberto Henrique Horta de Carvalho, suspeito de receber valores indevidos para tentar barrar projetos de proteção da Serra do Curral.
No núcleo financeiro do esquema aparecem Felipe Lombardi Martins, conhecido como o “homem da mala”, e Jamis Prado de Oliveira Júnior. Eles são suspeitos de serem os responsáveis por triangulação de valores e entrega de propinas a servidores.
Destaque na corporação
Rodrigo Teixeira ocupou cargos de destaque na corporação. Ele foi nomeado no início da gestão de Andrei Rodrigues como diretor de Polícia Administrativa, posição que o colocava como o terceiro na hierarquia da cúpula da PF. Permaneceu na função até o fim de 2024. Atualmente, exercia o cargo de diretor de Administração e Finanças do Serviço Geológico do Brasil, na Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (SGB/CPRM).

De acordo com as investigações, Rodrigo é suspeito de atuar como administrador oculto de uma empresa de mineração e mantinha negócios com investigados mesmo enquanto estava em funções estratégicas da Polícia Federal. A defesa dele ainda não se manifestou. Natural de Barbacena, Rodrigo é formado em Direito pela UFMG e ingressou na PF em 1999.
Afastados
Entre os servidores públicos afastados estão dirigentes da Agência Nacional de Mineração (ANM), da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), do Instituto Estadual de Florestas (IEF) e do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam). Segundo a PF, esses agentes são suspeitos de conceder licenças fraudulentas, manipular pareceres técnicos e vender informações privilegiadas.
As apurações continuam e a PF não descarta novos desdobramentos.
