Manifestações de repúdio ocorreram nas últimas horas em Conselheiro Lafaiete em relação às declarações do pastor Marco Feliciano, convidado do Celebrai, evento realizado ocorrido no sábado (13/09).
O evento, realizado na área externa do Poliesportivo Agostinho Campos Neto, no bairro Carijós, reuniu um grande público para a celebração religiosa.
Em trecho de sua pregação, o pastor Marco Feliciano disse que em Conselheiro Lafaiete “não sobrará Zé Pilintra, Exu Caveira, Tranca Rua, Preto Velho… nenhuma obra de feitiçaria, não governará mais essa cidade”. A declaração, vista como um ataque direto às religiões de matriz africana, causou profunda indignação.
Em resposta, a Casa Pai Jacó do Congo, um centro de Umbanda, emitiu uma nota pública para condenar as palavras do pastor. No texto, a casa religiosa expressou “profunda indignação” com a “intolerância religiosa”, destacando que as entidades citadas são “símbolos de fé, resistência e cuidado” para o povo umbandista. A nota ressalta que a Umbanda é uma religião de paz, caridade e amor, que tem resistido por mais de um século ao preconceito e à perseguição. O movimento cobra das autoridades locais, “providências concretas” contra discursos que incitam o ódio e a violência religiosa.
A Secretaria Municipal de Cultura publicou uma nota oficial nesta segunda-feira (15/09), afirmando que “a Cultura é a morada da diversidade” e que “a dignidade humana encontra seu palco mais sagrado”. A cidade, segundo a nota oficial, deveria ser um “território do encontro”, não um espaço para a exclusão e o proselitismo intolerante.
O poder público tem o dever constitucional de zelar pelo respeito a todas as crenças. O uso de recursos e espaços públicos para propagar falas que deslegitimam e ofendem religiões levanta uma discussão sobre a atuação política e o verdadeiro compromisso com a pluralidade.
