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7 de Setembro: Independência e a Soberania Inegociável

7 de setembro de 2025
in Gerais
7 de Setembro: Independência e a Soberania Inegociável
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Por jornalista Marcos Ribeiro

O Brasil celebra nesta semana o 7 de Setembro, data que carrega mais do que bandeiras tremulando e desfiles militares. É a lembrança de um grito às margens do Ipiranga que ecoou em 1822, quando Dom Pedro I proclamou a independência do país diante de um Portugal enfraquecido. O “Independência ou Morte” ficou marcado como a fundação simbólica de uma nação livre. Mas será que, passados mais de duzentos anos, essa liberdade é plena?

A cena imortalizada por Pedro Américo no célebre quadro pintado em 1888, com cavalos empinados e soldados alinhados, talvez tenha mais de teatro que de realidade. A independência, de fato, já vinha sendo articulada antes, nos bastidores da política, com manifestos e decretos que afastavam as tropas portuguesas. O gesto de Dom Pedro foi apenas o ápice de uma novela que misturava pressão popular, interesses econômicos e acordos entre elites. O Brasil nascia independente, mas não exatamente autônomo.

E aqui surge a primeira virada dessa história. A independência política não se traduziu em emancipação econômica. O jovem país, em vez de romper com a lógica colonial de dependência, trocou de parceiro. Se Portugal perdeu o controle, os Estados Unidos logo preencheram o vácuo. A Doutrina Monroe de 1823, que prometia afastar a influência europeia da América Latina, consolidou, na prática, a hegemonia norte-americana. Desde então, nossa balança comercial revela o retrato incômodo de exportador de commodities e importador de tecnologia.

Hoje, dois séculos depois, o roteiro se repete com nova roupagem. O Brasil é um dos maiores exportadores de café, aço, petróleo bruto e aviões da Embraer para os EUA. Mas importa motores, máquinas, componentes de aeronaves e fertilizantes, mantendo-se preso a uma engrenagem que gira fora de nossas mãos. O resultado é um déficit comercial que nos lembra, dia após dia, que a soberania conquistada em 1822 ainda é parcial.

E a ironia ganha contornos atuais. Em pleno feriado de comemoração da independência, o governo brasileiro enfrenta a realidade das sobretaxas anunciadas por Donald Trump sobre produtos nacionais. Um golpe direto em setores estratégicos da nossa economia. “Soberania não se negocia”. Mas, de que adianta gritar independência se a realidade insiste em nos lembrar da dependência?

O 7 de Setembro, mais do que data cívica, deveria ser um convite à reflexão. Não basta celebrar desfiles, é preciso encarar o dilema. Somos realmente donos do nosso destino ou seguimos reféns de acordos comerciais que nos deixam vulneráveis? A independência foi conquistada no papel e na memória, mas sua manutenção exige mais do que rituais patrióticos. Exige coragem para reescrever, de verdade, a história que começou às margens de um rio paulista.

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