Imagine uma estrada que, em vez de ligar cidades, conecta famílias a um medo constante. Quem trafega pelas BRs 040 e 356, entre Belo Horizonte, Conselheiro Lafaiete e Ouro Preto, conhece bem essa sensação. O peso do silêncio que antecede a buzina, o susto com um farol alto na contramão, o arrepio quando uma carreta de minério desponta numa curva.
Foi exatamente para tentar virar essa página que, nesta quarta-feira (27/08), o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) reuniu órgãos públicos, entidades civis e mineradoras em Belo Horizonte. O encontro, realizado no formato híbrido, marcou a quarta rodada de mediação conduzida pelo Centro de Autocomposição de Conflitos (Compor), do MPMG, e pela Câmara de Prevenção e Resolução Administrativa de Conflitos (CPrac), da Advocacia-Geral do Estado (AGE).
Logo na abertura, o procurador-geral de Justiça Adjunto Institucional, Hugo Barros de Moura Lima, deixou claro o peso da missão. “Estamos lidando com vidas”. A fala ressoou como alerta e cobrança para que todos os atores presentes, de fato, se importem com o que acontece nas duas rodovias.
As primeiras conquistas
Durante a reunião, os grupos de trabalho apresentaram relatórios que resultaram em avanços concretos. Entre eles, a elaboração de um Plano Mínimo de Segurança Viária. Uma espécie de manual emergencial para tentar reduzir imediatamente os riscos de acidentes.
Outra solução debatida foi o uso compartilhado da estrada Pico-Fábrica, alternativa que pode retirar parte das carretas das BRs 040 e 356, desviando veículos de mineradoras diretamente para terminais de embarque, sem a necessidade de enfrentar o fluxo das rodovias federais.
Pode parecer pouco diante do tamanho do problema, mas para quem convive com o barulho incessante dos freios e o medo de um acidente a cada ultrapassagem, cada medida soa como um sopro de esperança.
O caminho da mediação
O processo não começou agora. Em julho de 2024, já havia sido firmado um Termo de Acordo Parcial de Mediação, marco inicial dessa tentativa de conciliar interesses de mineradoras, órgãos públicos e comunidades. Desde então, o objetivo é um só: transformar promessas em obras, e relatórios em estradas mais seguras.
A pergunta que fica
Os relatórios são importantes, os planos são necessários. Mas a pergunta que ecoa na cabeça de quem usa essas estradas é: quanto tempo até que as medidas virem realidade? Porque, até lá, cada viagem continua sendo uma roleta-russa sobre rodas.
O encontro reuniu uma verdadeira força-tarefa: MPMG, MPF, concessionária EPR Via Mineira, Seinfra, DER-MG, Semad, Feam, IEF, Dnit, ANTT, ANM, PRF, Ibama, AGE, Amig, Amalpa e um rol de mineradoras como Vale, Gerdau, Vallourec, J. Mendes, Safm, Herculano, Minar, MSM e Ferro Puro, entre outras.
Fonte e foto: MPMG
