Segue repercutindo em Congonhas nesta quarta-feira (27/08) o grave episódio envolvendo o vereador Igor Souza Costa (PL) e o secretário municipal de Obras, Thales Gonçalves Costa. Um boletim de ocorrência registrado na terça-feira (26/08), pela Polícia Militar, aponta que o parlamentar teria ameaçado atentar contra a vida do secretário, no contexto de uma disputa envolvendo a retirada de rejeitos de minério em área de obra pública.
De acordo com o documento policial, as ameaças foram feitas nas dependências da Secretaria de Obras, diante de outros servidores públicos. Testemunhas confirmam que o vereador teria dito frases como: “você, sua esposa e seu filho vão sangrar”, assumindo em seguida que se tratava, sim, de uma ameaça direta.
O conflito gira em torno da desapropriação de um terreno na altura do novo Viaduto Norte, em construção. O espaço abrigava um galpão de propriedade de Helvécio Santana. A Prefeitura afirma que houve negociação legal, garantindo ao antigo dono o direito de retirar rejeitos de minério existentes no local dentro de prazo estipulado. Apesar de notificações, o material não foi retirado. As obras, consideradas de interesse público, prosseguiram.
Segundo relatou o secretário, o vereador Igor Souza estaria atuando em defesa dos interesses de Helvécio Santana. O parlamentar teria exigido a liberação total do material, alegando prejuízos comerciais com a retenção dos rejeitos. Alertado de que a paralisação da obra acarretaria um ônus de até R$ 40 mil por dia aos cofres públicos, o vereador teria ignorado o argumento e intensificado a intimidação.
Defesa do vereador
Em suas redes sociais, Igor Souza classificou as acusações como “mentiras” do prefeito Anderson Cabido e afirmou que se trata de perseguição política. O vereador confirmou ter tido uma discussão acalorada com o secretário, mas negou qualquer ameaça. Segundo ele, sua atuação na Câmara e denúncias anteriores contra a gestão municipal, como as feitas no caso do Hospital Bom Jesus (HBJ), seriam o motivo da retaliação. Souza garantiu que buscará reparação na Justiça contra o prefeito e o secretário.
Nota oficial
Em nota, a Prefeitura de Congonhas repudiou a conduta do vereador, ressaltando que a postura de intimidação “não pode ser considerada normal, nem aceitável”. O Executivo se solidarizou com o secretário e sua família, e reafirmou o compromisso de manter a austeridade na defesa do interesse público.
Reflexo político e institucional
O caso expõe fragilidades na relação entre Executivo e Legislativo em Congonhas e coloca em pauta a atuação de parlamentares frente a interesses privados.
A depender do desdobramento, a denúncia poderá ter repercussões não apenas na esfera judicial, mas também no campo ético e político da Câmara Municipal.
