
Já está à disposição das autoridades da justiça de Conselheiro Lafaiete Mateus Leroy (37). Preso em Salvador, na Bahia ele foi entregue à equipe de investigadores da Polícia Civil sob o comando do delegado Daniel Gomes de Oliveira. Mateus é suspeito de ter fugido com parte do valor arrecadado pela campanha em favor do próprio filho, o bebê João Miguel, diagnosticado com AME (Atrofia Muscular Espinhal), doença gravíssima que compromete a respiração e provoca a paralisação progressiva dos movimentos, podendo levar à morte se não for tratada corretamente. O Spinraza, medicamento que detém o avanço da AME é comercializado por valores astronômicos.
Sem condições de arcar com o tratamento, a família lançou uma grande campanha que mobilizou a cidade e região através de voluntários, imprensa e das redes sociais. Dezenas de eventos foram organizados para arrecadar fundos, entre shows musicais, pedágios e almoços beneficentes.
Ao mesmo tempo, a família de João Miguel ingressou na Justiça e, em maio deste ano, obteve liminar que obriga o governo de Minas Gerais a assumir a importação do medicamento, indispensável ao sucesso do tratamento. Diante desta reviravolta, e por se tratar de uma decisão liminar (podendo, portanto, ser revogada a qualquer momento) campanha foi temporariamente suspensa. À época foi informado que estava sendo analisada a possibilidade de transferir a quantia arrecadada para uma conta a ser administrada pela Justiça. Porém, nesta segunda-feira 22/07 a cidade foi surpreendida pela prisão de Mateus Leroy, pai do pequeno João Miguel, que teria desaparecido com parte do dinheiro.
Perplexidade

Por toda a cidade, o clima é de perplexidade e indignação. Nas poucas declarações prestadas ao Portal de Notícias Fato Real, o delegado Daniel Gomes, que coordena as apurações, fez questão de frisar que a mãe de João Miguel não tem qualquer envolvimento no crime cometido pelo marido e demonstrou preocupação com reação da população e de como algumas informações estão sendo divulgadas, podendo levar á uma insegurança para a família de João Miguel.
Várias pessoas que atuaram voluntariamente na campanha ou que fizeram doações se manifestaram via redes sociais, demonstraram incredulidade e raiva.
No cenário de descrença e ódio que se instalou n cidade, o padre José Maria Coelho, da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição divulgou uma nota pública onde afirma: “O que fizemos em prol da Campanha de João Miguel, podemos e devemos fazer em favor de toda e qualquer pessoa, aperfeiçoando nossa participação e procurando os meios jurídicos e judiciais de nos precaver de quaisquer problemas ou atitudes suspeitas de quem quer que seja. Apesar de um amargo sentimento de frustração que atinge a todos nós, reafirmamos nosso propósito de jamais nos desanimar diante do sofrimento e das necessidades dos outros, não nos deixando escravizar pelo apego aos bens materiais, fazendo tudo e tão somente aquilo que estiver ao nosso alcance”.
Entenda o caso: Pai de João Miguel é preso por usar dinheiro da campanha do filho
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