Nós, mulheres, andamos cansadas demais. Muito mesmo. As que dividem trabalho externo com a maior parte do trabalho doméstico, mais que todas.
Porém tem um aspecto de nosso cansaço que é muitas vezes ignorado: a fadiga mental fruto de todo o acúmulo de coisas que temos que pensar, sopesar e administrar, quase sempre sozinhas.
Como assim?
Exemplifico: a família vai viajar para algum local. Normalmente, uma decisão conjunta. Até aí, tudo bem. Porém, quem fica com todas as demais decisões e é responsável por pensar a organização de tudo o que concerne à viagem? A mulher.
Coisas que vão desde a reserva do hotel, quando é o caso, passando pelo que será levado nas malas, se se levará algo para comer ou beber durante o trajeto, quais lugares se visitará (ou não) – em suma: tudo o que faz com que a viagem realmente aconteça.
Para ver o impacto de tudo o que temos de pensar, analise: na sua família, se as mulheres tivessem se omitido em todas as ações necessárias para o sucesso das últimas férias, como teria sido?
Coloque qualquer coisa no lugar de férias: reunião em família, almoço de domingo, churrasco com amigos; compras de mantimentos; compras de roupas; reposição de eletrodomésticos.
Ou ainda: doença dos filhos (que não necessitam de médico); doenças que necessitam de médico (ou pior: internação); reunião de pais (que mais parecem reunião de mães).
Tudo isso e muito mais é, normalmente, resolvido pelas mulheres mais próximas.
Difícil encontrar um pai que saiba o que fazer, qual remédio e qual dosagem dar ao filho que está com febre. Às vezes ignoram até datas de aniversário, mal sabem nomes de professores – não raro, sequer sabem em qual ano escolar os próprios filhos se encontram! Isso demonstra uma total omissão nos cuidados com a prole – e mais um dos muitos aspectos da gigantesca sobrecarga mental, não apenas física, da mulher.
Quando a coisa se inverte: cuidados com os pais mais velhos; supervisão sobre eles, quando preciso; gestão doméstica e da aposentadoria; levar ao médico; cuidados de saúde – tudo isso fica a cargo das mulheres e apenas é assumido pelos homens quando são sumariamente obrigados porque, por exemplo, não há mulheres na família.
Pense: se ao longo do dia acontece algum imprevisto, quem, na maioria das vezes, é obrigada a sair do posto de trabalho para resolver, caso seja algo muito urgente?
Mesmo as mulheres que contam com parceiros comprometidos a dividir tarefas domésticas e outras coisas parecem encontrar dificuldades em dividir a carga mental de manter tudo em ordem – ou organizar o que porventura tenha se bagunçado por um imprevisto (desde coisas a planos).
Ao mesmo tempo, qual dos parceiros mais abandona em caso de doença grave, como câncer? O número é tão exagerado que, segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia, 70% das mulheres com diagnóstico de câncer passam pela experiência de serem simplesmente deixadas em um de seus maiores momentos de fragilidade com comprometendo até mesmo os resultados de tratamentos.
Imagine: a cada dez mulheres com câncer, apenas 3 contam com o apoio e suporte de seus maridos e/ou companheiros porque os demais “fogem para as montanhas” em busca de seu próprio bem-estar ignorando completamente as necessidades de quem deveria ser sua parceira de vida.
Se eu fosse homem, ao saber de algo assim ficaria completamente envergonhado pelo comportamento irresponsável e descompromissado da maior parte dos de meu sexo.
E, por favor. Você, homem, não me venha com “mas eu, não. Eu, nunca”…
Primeiramente, converse com as mulheres ao seu redor para saber se você é isso tudo mesmo. Se não for, descubra meios de ajudar, de tornar-se responsável por algo de maneira plena para compartilhar essa sobrecarga mental feminina.
Mas, suponhamos que você seja realmente aquele que alivia esse cansaço da mente feminina por compartilhar não apenas as atividades, mas também a carga mental: ainda assim, não nos “peça biscoito” por ser apenas um ser humano adulto e plenamente funcional.
Aqui, repito todas as mães: não faz mais que a obrigação! – e tenho dito
Profa. Érica
@ProfaEricaCL
