Cenas de constrangimento e importunação sexual foram testemunhadas por passageiros que viajavam esta semana, em um ônibus que fazia a linha de Belo Horizonte para Conselheiro Lafaiete.
Uma jovem de 24 anos já se encontrava sentada na poltrona e ouvia música quando um homem, após se sentar ao seu lado, tocou a perna dela e lhe mostrou uma mensagem, no próprio celular, em que perguntava o que estaria ouvindo. Em seguida, o desconhecido tomou o par de fones da jovem e, depois de acariciar sua coxa, pediu um contato pelo qual pudesse se comunicar com ela nas redes sociais. Constrangida, a passageira se esquivou e se encolheu, o máximo que pôde, para o canto da poltrona. E mandou mensagem para o pai pedindo ajuda. Neste instante, percebeu que o assediador estava com as mãos à altura do pênis.
Como o autor achou que a vítima havia começado a filmar a sua ação, ele mandou que ela virasse o celular para o outro lado. Nervosa e chorando convulsivamente, a jovem chamou a atenção dos companheiros de viagem, que interviram na situação. Ao perceberam o que estavam havendo outros passageiros reagiram com intimidação ao assediador, que para evitar represálias, se identificou falsamente como policial militar, sem mostrar nenhuma identificação. Segundo relato de passageiros, por sorte, havia de fato um militar no ônibus quer se identificou e assumiu o controle da situação.
Como já havia recebido mensagem da filha, o pai a aguardava na rodoviária e reportou o assédio à Polícia Militar. O ônibus foi interceptado e o suspeito detido próximo à sede do 31º Batalhão.
Consulta aos dados do REDS (Registro de Eventos de Defesa Social) revelou que o suspeito já havia sido investigado em 2019 como autor de calúnia de cunho sexual. O rapaz de 22 anos recebeu voz de prisão em flagrante e foi conduzido à Delegacia da Polícia Civil para adoção das providências pertinentes. Foi verificado que ele não é um policial, e estava em fase de exames de admissão à Polícia Militar do Espírito Santo.
Sobre a acusação do fato ocorrido na última terça-feira 04/04 ele relatou que se sentou na poltrona ao lado da vítima e que utilizando-se do bloco de notas de seu aparelho celular perguntou a ela qual musica ela ouvia, porém em nenhum momento passou as mãos no cabelo ou na coxa da vítima, tampouco retirou seu fone de ouvido.
Outra abordagem
Testemunhas contaram que, ainda na rodoviária da capital, o suspeito já adotava postura típica de assediador e chegou a abordar uma estudante que aguardava o mesmo ônibus com destino a Conselheiro Lafaiete. Ele quis sentar ao lado dela, que evitou o contato obstruindo a poltrona ao lado com a mochila, o que o obrigou a procurar outro lugar para sentar. “Ele puxou conversa comigo antes de entrar no ônibus, e eu sai de perto dele. Ele veio de novo e falou que já tinha me visto em Lafaiete e que também era de Lafaiete. Quando ele entrou tentou sentar na poltrona do lado da minha. Eu coloquei a mochila. Ele insistiu. Eu disse que ia esperar quem tinha comprado a passagem pra sentar lá. Ele então sentou em outra poltrona e ficou reclamando. Eu não tirei minha mochila e ele então começou a procurar outro lugar pra sentar e foi para a poltrona do lado da outra moça”, relatou ao Fato Real, demonstrando indignação pelo que aconteceu depois.
