A situação de funcionários da prefeitura de Lafaiete foi alvo de discussão de vereadores na sessão da Câmara Municipal desta terça-feira 28/03. As condições em que alguns trabalham e o salário recebido, levaram vereadores a comparar com a situação análoga a trabalho escravo.
O vereador Renato Pelé (PODE) apresentou requerimento com pedido de esclarecimentos à Administração Municipal por considerar humanamente impossível, conforme suas palavras, que apenas uma retroescavadeira, operada por quatro trabalhadores, responda pela manutenção da rede pluvial de toda a cidade , incluindo os distritos de Conselheiro Lafaiete. O parlamentar questionou, ainda, o salário pago aos servidores. Pelé disse que sua intenção, ao propor o requerimento, é a valorização desses profissionais por meio de salários dignos.

A proposição de Pelé suscitou ampla discussão entre seus pares sobre as condições inóspitas a que são submetidos alguns servidores públicos municipais, particularmente os que trabalham para a Secretaria de Obras da Prefeitura. João Paulo Resende (UNIÃO) lembrou que ainda existem profissionais que, de tão mal remunerados, têm a complementação salarial assinalada na folha de pagamento para receber, pelo menos, o equivalente a um salário mínimo por 40 horas semanais de trabalho, conforme determina a Constituição. Sandro José (PROS) chegou a dizer que, se for feita uma análise aprofundada, se chegará à conclusão de que haverá servidores públicos de Lafaiete trabalhando em condições análogas às de escravidão.
Após cumprimentar o colega Renato Pelé pela iniciativa, o presidente da Câmara, Vado Silva (DC) recordou uma situação inaceitável que ele próprio já havia relatado em ocasiões anteriores. Segundo o parlamentar, operários que estão erguendo um muro de arrimo no bairro São José não dispõem, sequer, de um banheiro químico onde satisfazer as necessidades fisiológicas. Segundo o parlamentar, quando precisam ir ao banheiro, os trabalhadores são obrigados a procurar a mata existente nas proximidades. Vado Silva avaliou que, se não respeitam as condições mais elementares de dignidade, como vão respeitar os salários dos servidores? Concordando com o colega Sandro José, o presidente da Câmara também disse que as condições se assemelham às de trabalho escravo.
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