E finalmente chegou o 30 de outubro – e passou.
E a sensação que eu tenho é que nós, cidadãos brasileiros, ansiamos por paz. Ao menos a maioria de nós.
Vivemos nos últimos meses um clima atroz de conflagração em que se viam múltiplos ataques pelas redes sociais e quase que não se conseguia ir à internet sem ter a sensação de ser bombardeado, especialmente por “fake news”, em um permanente clima de guerra.
E vou confessar: eu me sinto mentalmente enfarada, exausta: cansada dessa conflagração. Por vezes tento pensar em épocas mais amenas e parece que me escapa. Dada a intensidade desses momentos que vivemos, lembranças de melhores épocas de calmaria política, parecem mais apagadas, esmaecidas mesmo.
Minhas melhores lembranças nesse sentido certamente vêm do Plano Real e do governo Fernando Henrique Cardoso. Eu estava no meio da adolescência, por volta dos 16 anos, quando ele assumiu e já era uma mulher casada e com filho pequeno quando seus dois mandatos acabaram.
Em meu período de vida eu vi desde o momento em que se tinha que garantir os alimentos – ou mantimentos, como dizia e ainda diz minha avó – no começo do mês, assim que saísse o salário. Se não se fizesse isso, em alguns dias a inflação já tinha devorado boa parte do pagamento e já não mais se conseguiria garantir o básico.
Quando penso que já vi cédula carimbada pelo Banco Central em virtude de que a inflação era tão alta que não se conseguiam imprimir novas com mais zeros fico espantada com o que já vivemos em nosso país. Imagine: a mesma cédula ganhava zeros porque perdia valor de mercado. Éramos um país endividado internacionalmente e que buscava segurança institucional interna para sustentar sua democracia. Tal época de planos econômicos fracassados foi vencida pela capacidade política de articulação e agregação de grandes cérebros por Itamar Franco e FHC.
No momento da eclosão dos “Caras Pintadas”, movimento juvenil que foi às ruas pelo impeachment de Collor, o brasileiro sentia no dia a dia o que significava estar no mapa da fome e o que queria dizer ser cidadão de um país de “terceiro mundo”, terminologia abolida em tempos mais contemporâneos.
Fora do Brasil, pude acompanhar pela TV momentos como a queda do muro de Berlim e o desmantelamento da antiga URSS quando passamos a viver em um mundo multipolarizado. Lembro-me perfeitamente da minha professora de sétimo ano dizendo que ao presenciar esses movimentos estávamos vivendo a história, vendo-a ser construída frente aos nossos olhos. Ela comparou o que vivíamos estudando pelos jornais a guerra no Iraque deflagrada pelos EUA com outros importantes acontecimentos como as Cruzadas, em que havia um subterfúgio religioso escondendo propósitos econômicos e imperialistas.
Talvez essa professora tenha despertado em mim, com essa fala, o amor desmedido pela política como ferramenta. Naquele momento eu não sabia exatamente para que servia tal ferramenta, mas me parecia fascinante como algumas poucas pessoas se encontravam e, de repente, estavam tomadas decisões que afetavam a vida de milhões, para melhor ou para pior.
Ou era paz, ou era guerra.
E sinceramente? Anos depois, posso afirmar com certeza que meu amor por política continua o mesmo.
Mas eu cansei de presenciar fatos históricos tão densos e estou querendo mesmo é viver as épocas de bonança, paz e justiça social.
Sim, creio que ao longo do tempo, eu descobri o objetivo do uso da ferramenta “política”: o tal bem-estar, nosso e de nossos concidadãos. Agora só falta a nós usá-la bem começando por buscar a pacificação, não a conflagração, não a guerra civil.
Acho que meu grito de guerra nesse momento é exatamente: “Ô, meu tio, ô minha tia: eu “tô” querendo é paz”…
Vigilante paz? Sempre. Sempre atentos e acompanhando as movimentações político-econômicas e seus impactos sobre a sociedade.
Mas, paz.
Profa. Érica
@ProfaEricaCL
