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“Ele conseguiu burlar o sistema”

13 de outubro de 2022
in Você Repórter
“Ele conseguiu burlar o sistema”
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Semana passada tivemos conselho de classe em uma das escolas públicas em que trabalho e mais uma vez fui confrontada com a maneira como os sistemas de educação são desenvolvidos visando a aprovação do aluno a qualquer custo

O aluno perdeu média na prova? Dê outra! Nem na outra ele conseguiu média? Dê um trabalho! Nem assim? Dê outro trabalho! E outro, e outro, e outro…

Lembro-me bem de quando eu mesma era aluna de escola pública e o quão diferente foi minha educação lá no CMBH (Colégio Municipal de Belo Horizonte). Lá, éramos martelados com a ideia de que no mundo real não existem facilidades: no vestibular, concorreríamos com pessoas vindas das melhores escolas do sistema público, os institutos federais, e com os vindos das mais exigentes escolas particulares, quando essas eram apenas para a elite, em época em que não havia cotas para escola pública.

E aqui é importante reforçar que em um país farto em desigualdades, as cotas são importante ferramenta afirmativa, tanto para a população pobre, quanto para a população negra. A universalização do ensino foi outra grande conquista com vagas nas escolas sendo expandidas desde o governo FHC.

Porém, enquanto egressa de escola pública de referência é o aspecto da qualidade, que tem deixado a desejar – e não por “culpa” dos professores. Somos obrigados a seguir legislações e regimentos que exigem que nós facilitemos cada vez mais e cada vez menos os alunos sintam qualquer consequência em caso de serem relapsos.

O que nos leva ao Conselho de Classe, reunião na qual professores discutem com direção e coordenação quais procedimentos adotar em relação aos alunos, turmas etc. Parte do procedimento é dizer quem ficou de recuperação.

Cada professor relatando os pouquíssimos em suas matérias até que chegamos a uma sala em que o mesmo aluno havia ficado com quase todos os professores. Como bem disse um dos colegas ali presente: “Esse aí burlou o sistema”. Quando lhe perguntei o que queria dizer ele explicou e não pude deixar de concordar: “O sistema é desenhado para que ninguém seja reprovado. Se ele consegue ter chance de reprovação, burlou o sistema”.

É triste perceber que o dito sistema não prioriza o aprendizado: prioriza números secos de aprovação/reprovação, como se bons índices, nesse caso, refletissem bom aprendizado. Mas na verdade, trata-se da premiação de aluno displicente, indisciplinado e nada estudioso que terá dezenas de outras oportunidades mesmo que mal fique em sala e não faça uma atividade sequer. É duro dizer: mas duvido que seja reprovado ao final do ano.

Convenhamos, exige esforço não passar de ano no sistema público de ensino. É preciso conscientemente negar-se a participar de qualquer coisa. É preciso ter o máximo de displicência. Para nós, professores, não adianta tentar lutar contra o sistema de aprovação quase que obrigatória que nos é imposto “guela” abaixo.

Nós também somos vítimas desse massacre de potencialidades já que com tantas facilidades, quem é que está disposto a estudar? Quem estará disposto a engajar-se intelectualmente para o próprio crescimento? Você acha que isso não prejudica o andamento das aulas??

Quanto aos nossos alunos, claro que existem aqueles que, a despeito das facilidades, concentram-se, estudam. Estão atentos e de todas as formas buscando aprender o máximo que podem.

Porém, estamos falando de adolescentes. Por isso, as potencialidades são desperdiçadas porque mesmo aquele cheio de capacidades, mas também cheio de preguiça, tem todo o ambiente para ser tomado pela inércia e apenas seguir com a maré já que a aprovação é quase certa. Depende de um mínimo de esforço.

E não. Não defendo que se reprovem indiscriminadamente. Apenas desejo que se invista na qualidade da educação e em um sistema de ensino que trabalhe capacidades desenvolvendo-as – não apenas daqueles que conseguem caminhar sozinhos e terem sucesso. Mas de todos.

No mínimo, eu desejaria um sistema de ensino que ensinasse ao aluno que displicência, corpo mole, não cumprimento de tarefas e regras mínimas acarretam consequências.

Porque assim é o mundo real. Quando meu aluno de escola pública for tentar ingressar em institutos federais ou ser bem-sucedido no ENEM: se não obtiver os pontos necessários para isso será simplesmente reprovado e não conseguirá sua desejada vaga porque não existem “pontos extras”, “recuperações paralelas” nem “novas oportunidades de aprendizado”, da maneira que são ensinados hoje nas escolas.

Em uma nova oportunidade de aprendizado na vida, vai-se embora aquela desejada vaga de emprego ou aquela sonhada matrícula em um curso técnico ou superior que mudaria sua história.

Quando se assustarem: já se foram os anos para aqueles que não tinham idade ou maturidade para perceber que “burlar o sistema” não era a melhor ideia. Assim como não era uma boa ideia se adaptar a ele e fazer apenas o suficiente já que isso seria a causa da impossibilidade de se alcançarem melhores empregos, melhores salários, melhores vidas.

E ainda há quem queira culpar os professores!

Profa. Érica
@ProfaEricaCL

UniFASar

ERM



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