
Caminhando para o final dos trabalhos, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do transporte público de Conselheiro Lafaiete, ouviu diversos depoimentos nesta terça-feira 29/06, de ex-funcionários, sócios, ex-gerentes e procuradores da Viação Presidente. Entre eles Marco Antônio de Paula.
O gestor da Presidente por cinco meses no ano de 2019 se ofereceu para depor. Com exclusividade, ele falou com a jornalista Gina Costa, revelando parte do que repassou aos vereadores em seu depoimento. Marco de Paula destaca que, além de falar, ele apresentou documentos que comprovam que ao longo de sua gestão os direitos trabalhistas dos funcionários foram pagos. Segundo Marco, foi entregue à CPI uma pasta com documentos que comprovam o que ele afirma ter feito.

Marco Antônio de Paula fez uma importante revelação na entrevista. Segundo ele, faltando mais de um ano para o fim do contrato da Viação Presidente com o município, ele procurou o prefeito, com uma proposta de melhoria dos serviços e frota com investimento de 15 milhões de reais; em contrapartida deveria haver a renovação antecipada do contrato por mais 10 anos.
Mas, de acordo de Paula, apesar de avaliação positiva, Mário Marcus não lhe deu resposta e a proposta não foi protocolada. “Eu estive com o prefeito Mário Marcus, em outubro de 2019, quando ainda era procurador da Viação Presidente. Fiz uma oferta a ele de colocar 30 ônibus no sistema urbano de Conselheiro Lafaiete. Isso seria um aporte financeiro de, mais ou menos, quinze milhões de reais. Pedi também, em contrapartida, que ele renovasse antecipadamente, por mais dez anos, pois o contrato ainda tinha aproximadamente mais um ano e três meses para vencer. E nós não podíamos fazer um investimento de tal volume, considerando que tínhamos somente mais um ano de contrato. Isso era realmente inconcebível. […]. Entreguei isso na mão do senhor prefeito pessoalmente, ele recepcionou esse documento, achou muito boa a proposta, eu perguntei se podia protocolar, ele me respondeu que procuraria o procurador do município, Dr. José Antônio naquela atualidade e eu até hoje não recebi resposta do senhor prefeito”.
O ex-gestor da Viação Presidente enfatiza que faltou vontade ao poder público municipal para resolver a questão. Sobre a crise no atual momento, Marco de Paula ressalta que ela é reflexo da pandemia, do alto número de gratuidade e outros fatores. Mas foi agravada pelas ações do prefeito Mário Marcus: “Naquele momento nós víamos necessidade de que o gestor público desse a mão a empresa e não empurrasse a empresa para as profundezas, e foi o que aconteceu. Pode se observar que, em várias cidades, o prefeito abraçou, acolheu, apoiou e financiou, [com isso] o transporte público continua funcionando e atendendo a comunidade, coisa que Lafaiete infelizmente hoje não vemos. E acho que vamos ter dificuldades nesse modelo que o prefeito quer construir de ter uma empresa atendendo Lafaiete. Nenhum empresário virá para Lafaiete para abraçar prejuízos”.
Sem definição
Ainda não foi definida a empresa que substituirá a Viação Presidente como prestadora do serviço de transporte público coletivo na cidade. Lafaiete caminha para quatro meses sem empresa de ônibus atendendo a população. O serviço tem sido feito por vans escolares, de forma emergencial.
Um processo licitatório está em andamento, com evidências de que a empresa Umuarama possa operar na cidade. Em 18/06 em sessão pública do processo foram analisadas as documentações das três empresas participantes, uma apenas foi habilitada: a Umuarama. No entanto, ainda decorrem prazos relacionados ao processo.
