A direção do hospital Queluz, em Conselheiro Lafaiete, tornou pública a grave dificuldade enfrentada pela instituição em relação ao plantão dos médicos pediatras. Até à eclosão da pandemia de COVID-19 o hospital, referência em ginecologia e obstetrícia para Lafaiete e cidades próximas, tinha em seus quadros quatro pediatras que se revezavam cobrindo o período de 24 horas. Porém, dois médicos precisaram se afastar por fazerem parte do grupo de risco, restando apenas duas pediatras que têm se desdobrado para suprir a falta dos colegas.

Neste momento, conforme relatou Wagner Costa Coelho, administrador da entidade, foi preciso suprimir o plantão presencial das 11 da noite às sete da manhã, período em que as médicas são colocadas de sobreaviso e só comparecem caso sejam convocadas em caráter emergencial: “Desde o último dia 20, obstetras e anestesistas estão sendo obrigados a realizar partos sem o apoio fundamental dos pediatras. Colocar os médicos de sobreaviso é algo que, na prática, não funciona no caso da pediatria. A gente realiza de 130 a 150 partos por mês, atendendo a situações de urgência e emergência de Lafaiete e toda a microrregião; não dá pra prever as condições em que a parturiente irá chegar ao hospital nem adivinhar o estado de saúde dela e do bebê prestes a nascer”, afirmou em entrevista ao Fato Real.
Valor do plantão
O administrador relatou que, desde agosto, o hospital vem tentando sensibilizar o Município a reconhecer a gravidade da situação. O pedido foi para que a Secretaria Municipal de Saúde pague aos pediatras do Queluz a mesma remuneração recebida pelos médicos que atendem nos demais hospitais da cidade, ou seja, R$1.400,00 (mil e quatrocentos reais) pelo plantão presencial 24 horas. O administrador disse que a alternativa foi bem acolhida por médicos que se dispuseram a reforçar a equipe hospitalar. Contudo, o Município respondeu que o Queluz, como entidade filantrópica, é que deve complementar com recursos próprios o valor do plantão pediátrico de seus profissionais. No momento, para ficar em sobreaviso, Os médicos recebem R$350,00 (trezentos e cinquenta reais) por cada plantão de 12 horas, valor que Wagner Costa Coelho reconhece ser irrisório.
Importância do pediatra

Para exemplificar a necessidade da presença do pediatra na sala de parto e no berçário prestando assistência à gestante e ao recém-nascido, Wagner Costa Coelho relatou episódio ocorrido na última sexta-feira (04/12), no qual uma mulher com COVID entrou em trabalho de parto: “Embora não sejamos referência em atendimento a gestantes com COVID, acolhemos, em caráter emergencial, uma mulher que entrou em trabalho de parto nestas condições. Adotamos todas as medidas de precaução estabelecidas e tudo transcorreu tranquilamente. A mãe está bem, assim como a criança, que testou negativo para o novo coronavírus. Fazemos este relato para que se possa mensurar a indiscutível relevância da presença do médico pediatra na sala de parto. Isso é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde, pelo Conselho Federal e pelos conselhos regionais de Medicina”.
Ainda segundo o administrador, a Secretaria Municipal de Saúde comunicou a impossibilidade de atender neste momento ao projeto de pediatria proposto, acrescentando que a discussão só será possível em 2021. Cópias do mesmo documento foram entregues ao Ministério Público, à Câmara de Vereadores e ao Conselho Municipal de Saúde.
A administração do Queluz busca levar á pulação o que está ocorrendo e sensibilizar as autoridades na busca de uma solução.
