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Lideranças do ensino questionam volta às aulas na modalidade à distância

19 de maio de 2020
in Gerais
Lideranças do ensino questionam volta às aulas na modalidade à distância
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Por causa da pandemia de COVID-19, funcionários da educação, pais e alunos estão tendo que se adaptar às novas maneiras de difusão do ensino. Em Minas Gerais, a Secretaria de estado de Educação estabeleceu regras para que as aulas sejam ministradas à distância. Porém, o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação no Estado (Sind-UTE/MG) alerta que o perigo persiste, mesmo com o cenário de aulas na modalidade à distância.

Para Sandro Coelho Costa, responsável pelo departamento de comunicação da subsede do Sind-UTE em Conselheiro Lafaiete, a necessidade imposta aos pais e professores de buscar apostilas e recorrer a copiadoras para imprimir o material de trabalho provoca a quebra das regras de isolamento social. Em entrevista à Rádio Carijós 92,3 FM, Sandro Coelho lembrou, ainda, que, por força de liminar judicial, o estado não pode convocar para o trabalho nenhum servidor da educação, a não ser o diretor escolar, que só deve ser convocado em caso de necessidade inadiável. Por este motivo, o sindicato ingressou com recurso no Tribunal de Justiça questionando a decisão do governo, que classifica como arbitrária, de reabrir as escolas para dar suporte às atividades virtuais.

Tecnologia

Aulas via canal de TV

A retomada das aulas nas escolas estaduais por meios eletrônicos suscitou outra questão: sem treinamento, professores, pais e estudantes estariam enfrentando dificuldades para lidar com as ferramentas tecnológicas, uma vez que o governo do estado não teria conseguido montar um sistema que englobasse todos os envolvidos neste processo. Segundo o diretor de comunicação do Sind-UTE em Lafaiete, cerca de 700 mil alunos estão excluídos da educação à distância em todo o estado. Sem acesso à internet, eles também não podem assistir às videoaulas transmitidas pela rede Minas, cujo sinal chega somente a cerca de 30% das cidades mineiras. Além disso, não houve a participação de professores na criação do material didático e o planejamento que cada educador elabora em atenção às classes sob sua responsabilidade foi desconsiderado em detrimento de um conteúdo genérico que deve ser baixado da internet.

Sem salário

Como se não bastassem os problemas levantados, Sandro Coelho salientou que é preciso levar em conta que os servidores estaduais da educação não receberam até hoje o salário referente ao mês de abril e não existe nenhuma perspectiva de quando o pagamento será efetuado. Para o sindicalista, tal situação ilustra o descaso com que o governo trata a educação no estado, colocando-a em último lugar na lista de prioridades.

Sandro Coelho rebateu a afirmação de que não há dinheiro em caixa para fazer o pagamento argumentando que a maior parte da verba para o ensino é repassada pelo governo federal através do FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica). Ele sustenta que, se o recurso fosse integralmente aplicado no ensino, haveria cerca de 800 milhões de reais, dos quais 500 milhões seriam suficientes para custear os salários dos trabalhadores do setor.

Leia também:  Teleaulas do “Se Liga na Educação” estreiam na Rede Minas.

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