
Por conta do enfrentamento à pandemia de COVID-19, o Dia da Enfermagem e do Enfermeiro, comemorado nesta terça-feira 12/04 se reveste de um significado especial. Coincidentemente, a Organização Mundial da Saúde declarou 2020 Ano Internacional da Enfermagem. Contudo, mesmo com a justa homenagem que vem recebendo nesta data, a categoria não tem muito que comemorar. A análise é da integrante dos conselhos municipais de Saúde e do Idoso de Conselheiro Lafaiete, Kátia Severiano.
Em entrevista ao “Boletim Coronavírus” da rádio Carijós, ela observou que, apesar de atuarem na linha de frente do combate à COVID-19, muitas vezes expondo as próprias vidas a risco para salvar pacientes, os enfermeiros não têm, na prática, o reconhecimento que merecem. A distribuição de equipamentos de proteção individual é muitas vezes insuficiente, o que fez do Brasil o país onde tem havido mais mortes de profissionais da enfermagem nesta pandemia.
Kátia Severiano deu voz ao sentimento compartilhado pelos enfermeiros todos os dias diante do desafio de encarar mais um plantão em meio à maior pandemia enfrentada pela humanidade nos últimos tempos: “A gente está vivendo num cenário muito complicado. Acho que o que define a nossa profissão é a capacidade de nos doarmos ao outro, mesmo sabendo que o risco é muito grande e que não podemos contar com os itens de proteção, que estão em falta no país inteiro. O jeito é improvisar e pedir a Deus proteção, que nosso dia seja tranquilo e que as pessoas respeitem as regras. Nos levantamos todos os dias pra cumprir nosso papel e ficamos tristes ao nos depararmos com as ruas da nossa cidade cheias de gente, ninguém se protegendo, não levando a situação a sério, achando que é brincadeira uma situação que é real. Tem muita gente morrendo e, como não há como testar todo mundo, existe uma imensa subnotificação de casos. A única opção possível no momento continua sendo o isolamento social”.
Valorização

O alento nesta situação excepcional, de acordo com Kátia, é que a explosão do novo coronavírus levou a sociedade a olhar com mais carinho os profissionais da enfermagem e compreender a importância do trabalho realizado pela categoria. Esta valorização, porém, ainda não se refletiu em conquistas para a classe. Ela lembrou que, há 20 anos, tramita sem sucesso no Congresso Nacional projeto que fixa em 30 horas semanais a jornada a ser cumprida pelos enfermeiros, que continuam trabalhando exaustivamente e sem direito sequer a um piso salarial digno.
No âmbito estadual, a categoria luta para ter direito à mesma gratificação que o governo Romeu Zema concedeu somente aos médicos: “A classe médica é sempre mais valorizada, mesmo num momento como este em que todos estão expostos. Qual é a razão de se conceder a gratificação apenas aos médicos? O enfermeiro e o técnico de enfermagem também merecem. Afinal de contas, enfrentamos risco até maior, pois os profissionais de enfermagem são quem fica mais tempo assistindo o paciente no leito. Tanto que, infelizmente, enfermeiros e técnicos são os que mais têm morrido de COVID-19 entre os servidores da saúde”.
A servidora do PSF Fonte Grande em Lafaiete se congratulou com os demais colegas enfermeiros de Lafaiete e região e manifestou o desejo de que todos se mantenham firmes na batalha até que o novo coronavírus seja finalmente derrotado.
