Desde que explodiu a pandemia causada pelo novo coronavírus, as autoridades de saúde admitem a subnotificação de registros de casos. Sem condições de proporcionar exames para todos os suspeitos que manifestam os sintomas da Covid-19, aqueles, aparentemente, menos afetados são orientados a se manter em isolamento domiciliar e fazer o tratamento em casa.
É o que acontece também em Conselheiro Lafaiete, que já contabiliza oficialmente com 11 casos confirmados de Covid-19. Mas, o número pode aumentar se entre os 232 casos em investigação algum testar positivo. O anúncio pelo prefeito Mario Marcus de que os contaminados estão assintomáticos, e que, portanto, podem ter contaminado “centenas de pessoas” por meio de contato, deixou a população em alerta e também com dúvida. Se eram assintomáticos por que foram testados? O Fato Real fez estes questionamentos, mas não obteve respostas.
O Fato Real manteve contato com uma pessoa (moradora de Lafaiete) que afirma ter desenvolvido todos os sintomas da Covid-19, mas não procurou atendimento médico, podendo ser portanto, um dos casos que contribuem para a subnotificação. Sua identidade será preservada na reportagem.
Medo de morrer

Durante o período em que os supostos sinais da doença ainda não haviam se manifestado, o homem de 40 anos circulou entre Lafaiete e Ouro Branco (onde estava trabalhando no dia que sentiu os primeiros sintomas) e esteve em um supermercado em Lafaiete.
Ele contou ao Fato Real que há pouco mais de 15 dias começou a sentir um pouco de febre. Mas, como pareceu coisa leve, continuou no trabalho. A febre voltou na tarde seguinte, desta vez um pouco mais forte. “Fiquei repousando em casa, e depois minha mãe me pediu para acompanhá-la às compras e fomos juntos ao supermercado neste dia.”
Depois deste mal-estar inicial com registro de febre, em que alternou momentos de prostração e leve recuperação, o entrevistado teve uma piora acentuada e chegou a pensar que pudesse ir a óbito: “Meu corpo tremia todo por dentro e sentia uma pressão violenta na cabeça; tinha a sensação de que pudesse desmaiar a qualquer momento e só me sentia um pouco melhor se permanecesse deitado. Quando precisei descer e subir alguns lances de escada, tive a sensação de ter disputado uma maratona; fiquei com o coração acelerado e senti falta de ar. Foi aí que percebemos a gravidade da situação e consultamos uma prima enfermeira, que associou os sintomas à Covid-19 e me aconselhou a beber muita água e me tratar como se fosse uma gripe muito forte; se não melhorasse, o jeito era procurar ajuda médica”.
À custa de muito repouso e hidratação contínua, os sintomas finalmente regrediram e a situação foi, gradativamente, retornando à normalidade num prazo de uma semana. Como a febre e a tosse seca foram cessando, o entrevistado contou que foi aos poucos retomando a rotina.
Teste
Ele disse que até gostaria de se submeter a exames para confirmar se teve de fato a Covid-19, mas as autoridades de saúde recomendam a procura de ajuda médica somente em casos graves e os testes feitos em laboratórios particulares têm um preço elevado com o qual não poderia arcar. Contudo, com base no que sentiu e sofreu, ele não tem dúvida de que foi contagiado pelo novo coronavírus e alerta que a Covid-19 está longe de ser uma “gripezinha”, ao contrário do que alguns querem fazer crer. “Uma gripezinha não me derrubaria como aconteceu. Sou muito forte e muito resistente”, disse.
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