O governo de Minas Gerais confirmou, nesta quinta-feira (29), o rompimento de uma estrutura da mineradora Vale na mina de Fábrica, em Ouro Preto. O incidente ocorreu na madrugada de domingo (25) e envolveu a Cava 18, que armazena rejeitos de mineração. A empresa foi multada em R$ 1,7 milhão por danos ambientais e por não comunicar o órgão ambiental dentro do prazo legal.
Segundo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), houve erosão na cava e o rompimento de uma leira de contenção, espécie de barreira de segurança. A água com sedimentos desceu pela linha de drenagem, ultrapassou estruturas iniciais de contenção e atingiu áreas operacionais da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), vizinha da mina.
No domingo, a Vale havia tratado o episódio como “extravasamento”. Apenas após fiscalização do Estado o rompimento foi oficialmente reconhecido. Pela gravidade do caso e pela omissão na comunicação – que deve ocorrer em até duas horas -, o governo determinou a suspensão cautelar da deposição de rejeitos na Cava 18.
Em Congonhas, também no domingo, outro incidente foi registrado na mina Viga, da própria Vale. De acordo com a Semad, um talude natural deslizou, e o material superou 22 estruturas de contenção conhecidas como “sumps”. O resultado foi o aumento da turbidez de cursos d’água da região. Nesse caso, a empresa comunicou o ocorrido dentro do prazo e recebeu multa de R$ 400 mil. As atividades na unidade estão paralisadas até que a segurança seja comprovada.
Durante coletiva de imprensa, autoridades ambientais afirmaram que o volume elevado de chuvas contribuiu para os dois episódios. O subsecretário de Fiscalização Ambiental, Alexandre Leal, destacou que não houve vítimas nem danos a comunidades. “A prioridade foi garantir a segurança da população. Agora, o foco é a reparação integral dos danos ambientais”, afirmou.
O Corpo de Bombeiros Militar, a Defesa Civil estadual e a Polícia Militar de Meio Ambiente atuaram no monitoramento das áreas afetadas. Drones foram usados para mapear a extensão dos impactos. Técnicos informaram que, no domingo, a poluição chegou a níveis até 30 vezes acima do permitido, mas os indicadores de turbidez começaram a cair a partir de quarta-feira (28).
A Vale informou que iniciou o desassoreamento dos diques atingidos. A empresa terá de apresentar planos detalhados de recuperação ambiental para as duas minas. O governo de Minas afirmou que seguirá acompanhando o caso e não descarta novas penalidades, caso sejam constatadas outras irregularidades.
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