Dez anos após o rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana (05/11/2015), o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Piranga (CBH Piranga) mantém firme a luta pela recuperação ambiental e social da bacia do Rio Doce. O desastre, que lançou milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério nos cursos d’água, provocou uma das maiores tragédias socioambientais do país, deixando marcas profundas nas comunidades ribeirinhas e no meio ambiente.
Desde então, representantes dos comitês mineiros e capixabas que integram a bacia têm se articulado para fortalecer ações de preservação e buscar resultados mais efetivos na reparação dos danos. Apesar dos avanços, como a aprovação do Plano Diretor de Recursos Hídricos da Bacia do Rio Piranga (PDRH), o processo de recuperação ainda caminha lentamente.
O presidente do CBH Piranga, Carlos Eduardo Silva, afirma que o ritmo da reparação é desigual e distante do necessário. “A situação é marcada pela lentidão da reparação e pela desigualdade no reconhecimento das vítimas. Ainda há impactos ambientais e sociais em curso. A repactuação é essencial para que possamos garantir a segurança hídrica e a reparação total dos danos”, destacou.
O PDRH, elaborado com participação de diversos setores, traça um diagnóstico detalhado da realidade hídrica da região e define estratégias para enfrentar os principais desafios ambientais em curto, médio e longo prazo. Entre os problemas apontados estão a presença de rejeitos e a suspensão de sedimentos no leito do rio, que afetam a vida aquática e a qualidade da água.
Para o CBH Piranga, a repactuação entre instituições e governos é um passo indispensável para acelerar as medidas de restauração e assegurar que a população atingida tenha acesso às indenizações e à melhoria das condições de vida. “Estamos sempre buscando parcerias, principalmente com o Ministério Público, para acompanhar e cobrar o cumprimento dos acordos”, reforça o presidente.
Mesmo após uma década, o Rio Doce e seus afluentes ainda não se recuperaram plenamente. A mobilização dos comitês segue como uma das principais forças para que a tragédia de Mariana não seja esquecida e para que a reparação ambiental e social se torne realidade em toda a bacia.
