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Edital de Convocação do Conselho Municipal da Juventude 001/2021

Ao nos depararmos com os fenômenos sociais dos quais a grande parte da juventude brasileira está inserida diretamente a eles, é imprescindível que possamos compreender que os jovens se encontram como um grupo indubitavelmente estratégico para o desenvolvimento social. Porém, não nos limitamos somente a uma posição estratégica de futuro e de presente, mas também de um ator que se dispõe de direitos. No sistema político brasileiro em que as suas instituições não possuem a cara da nossa gente, do nosso povo, está longe de ser um espaço acolhedor e participativo pela juventude.

A luta por este espaço é uma luta pela sobrevivência, é um conflito pelas causas que denunciam um Estado que mata, segrega e que não respeita a dignidade do jovem. Um Estado que se encontra em posição de negligência ao desenvolvimento educacional dos jovens, um estado que se omite a desigualdade pela a qual a juventude pobre e periférica convive diariamente. Um Estado que não constrói alternativas baseadas em um recorte social, de gênero e identitário. Portanto, por se tratar de opressão, sabemos que a juventude é a principal vítima do sistema.

Em meio a isso, grande parte da população carcerária é jovem e um grande número de vítimas de assassinatos no Brasil também é jovem. Em consequência deste cenário e fazendo um recorte, percebemos que por sua grande maioria, as vítimas desse sistema tem cor, raça e classe social. Ademais, é importante ressaltar toda essa narrativa, para que possamos afirmar sem nenhuma dúvida que a juventude do brasileira tem sua dignidade ameaçada diariamente, e para que possamos avançar no debate tendo como referência essa posição de vulnerabilidade no sistema, se faz necessário reconhecer o jovem não somente como o próprio, mas como um sujeito legal de direitos, ou seja, como cidadão.

A juventude é vista culturalmente como um problema a ser solucionado, são sujeitos rebeldes e sem lei. Perdidos no mundo e distantes da elite política intelectual. Afinal, o intelectualismo nunca foi visto como algo juvenil, mas como uma posição culturalmente construída pelos adultos. O que impulsiona os jovens a serem aprendizes de uma intelectualidade que os ensina a serem sujeitos de escuta, distantes de uma posição de representação. A intelectualidade se demonstra distante de entender e compreender o jovem, pois ela mesmo não chega às periferias da sociedade, o conhecimento quando ele se aprisiona nas grandes redes acadêmicas ele não age como um instrumento de libertação, o mesmo a partir disso, passa a ser um objeto de segregação. Diante disso, os problemas pelos quais a juventude brasileira passa em seu dia a dia vem sendo tratado sob uma ótica criminalista de sua própria vivência, e no fim das contas, o jovem é o rebelde, o perigoso. Uma fase problemática, pela qual a repressão se demonstra como a melhor forma de educar.

Sabemos que não é simplesmente assim, a repressão tem em si uma carga cultural marcada pelos preconceitos que pairam sobre a nossa sociedade. Logo, a juventude como cidadã tem como pressuposto o reconhecimento do jovem como um sujeito digno, o que faz com que uma visão de reconhecimento da juventude seja empoderada em uma lógica de Direitos Humanos. Dessa forma, antes mesmo de ser estratégico para desenvolvimento, passamos a ser um ator que se dispõe de direitos básicos.

Para isso, se demonstra importante uma política municipal de juventude que tenha como base os pilares de desenvolvimento que dê ao jovem a sua posição como cidadão. As políticas públicas precisam ser direcionadas a um entendimento coletivo pelo qual o jovem necessita ser protagonista deste processo. Com isso, uma das grandes formas de protagonizar e direcionar este entendimento coletivo é por meio do Conselho Municipal de Juventude, como um exercício da cidadania dos jovens para os jovens, em que se colocam nesse espaço como protagonistas das políticas públicas. É um espaço de participação e de interlocução da juventude com o poder público no planejamento e acompanhamento da execução das políticas públicas destinada à juventude.

Em Lafaiete onde grande parte da população é jovem se faz imprescindível um planejamento de políticas públicas destinadas a nossa camada social, pois compreendemos que, além de sermos estratégicos para o sistema, precisamos ter nossos direitos básicos preservados, que nos permitam a nos resguardamos dos conflitos pelos quais nos matam e criminalizam. Lafaiete possui uma juventude que é esquecida e criminalizada diariamente pela sociedade, que se encontra em posição sensível referente ao seu desenvolvimento: dificuldade em encontrar o seu primeiro emprego, uma juventude distante do empreendedorismo, uma juventude que se sujeita a trabalhos indignos e exploradores, que não possui acesso a sua própria cidade, uma juventude que se sujeita a ser o que a nossa sociedade a impõe a ser.

Porém, somos uma juventude resistente, que sonha, que alimenta esperança e que luta para não ser silenciada. Até quando vamos ter que ser enquadrados e criminalizados pela sociedade enquanto sujeitos dos mesmos direitos?

Desta forma, destacamos a importância do Edital Convocatório dos movimentos para a assembleia de eleição dos representantes não governamentais – biênio 2021/2023 do COMJUVE. A assembleia será realizada em 17 de fevereiro de 2021, às 18:00 horas, através do aplicativo Jitsi Meet por videoconferência. Na oportunidade, o conselho informa que cada entidade deverá encaminhar até 2 (dois) representantes devidamente credenciados, com idade mínima de 16 (dezesseis) anos máxima de 29 (vinte e nove) anos, com poderes de votarem e serem votados. O link para a assembleia on-line deverá ser solicitado pelo e-mail: [email protected] ou através do WhatsApp: (31)98408-8154.
http://sociallafaiete.blogspot.com/2021/01/edital-de-convocacao-do-conselho.html

Arthur Henrique Gomes de Souza
Integrante do Coletivo Lafamob

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