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Atividade física e hábitos saudáveis para a saúde cardiovascular da mulher

As mulheres, quando comparadas aos homens, procuram mais ajuda médica? Sim. A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher do Ministério da Saúde, afirma que as mulheres são as principais usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS). As mulheres estão mais suscetíveis a desenvolver certas doenças que podem estar relacionadas ao estresse, à dinâmica familiar e no trabalho, ao cuidado dos filhos e do cônjuge dentre outros fatores. Por isso, hoje falaremos de uma doença muito comum na população brasileira, a doença cardiovascular. Os fatores envolvidos com o cuidado e a atenção à saúde cardiovascular são diversos, como o tempo livre e de lazer, a alimentação, as condições de trabalho e de moradia. Essa temática merece atenção, pois a mulher em nossa sociedade enfrenta uma sobrecarga de responsabilidades com o trabalho e com as atividades domésticas, e isso pode ter um impacto severo em sua saúde.

A atenção à saúde da mulher está voltada para os diferentes ciclos da vida abrangendo os aspectos físicos, mentais e sociais, visando a melhora da qualidade de vida e do bem-estar e, dentro dessa complexidade, existem políticas públicas direcionadas para a saúde da mulher como a saúde materna e infantil, a saúde sexual, os direitos sexuais e reprodutivos, os cuidados destinados a mulheres no climatério, a assistência às doenças ginecológicas prevalentes, a prevenção, a detecção e o tratamento do câncer de colo uterino e de mama, a assistência à mulher vítima de violência doméstica e sexual, a promoção da atenção à saúde de segmentos específicos da população feminina e outras ações. Por isso, é de extrema importância que as mulheres obtenham informação sobre a sua condição de saúde, façam acompanhamento e exames periodicamente e recebam orientações tendo sempre como foco o cuidado integral, observando a mulher em sua complexidade e compreendendo todas as suas demandas no cuidado em saúde.

A respeito da temática abordada neste texto, a doença cardiovascular é a principal causa de morte entre as mulheres no Brasil, sendo a doença arterial coronariana e o acidente vascular cerebral (AVC) as mais comuns. De acordo com dados observados na Carga Global de Doenças, publicados em 2020 (GBD 2017), estima-se que 58 eventos de doença arterial coronariana aconteçam para cada 100 mil mulheres no Brasil. Outras doenças cardiovasculares frequentes entre as mulheres incluem o tromboembolismo, a arritmia e a insuficiência cardíaca.

Nesse sentido, uma das ações do Ministério da Saúde voltadas para a prevenção dessas doenças é a Estratégia de Saúde Cardiovascular (ECV) para a Atenção Primária à Saúde, que tem como principais objetivos dar suporte ao desenvolvimento de ações voltadas para a prevenção e qualificar o cuidado voltado para as doenças cardiovasculares e seus fatores de risco.

Um fator de risco que chama a atenção é a obesidade, considerada uma Doença Crônica Não Transmissível (DCNT) e está associada a outras DCNTs, como hipertensão arterial, diabetes mellitus e doenças cardiovasculares. Ela está entre os três fatores de risco mais fortemente associados às mortes e incapacidades no Brasil.

Outro fator é a má alimentação, considerada um dos principais fatores de risco relacionados à Carga Global de Doenças no mundo e um dos principais determinantes do excesso de peso e obesidade. No Brasil, em 2015, esse foi o fator de risco que mais contribuiu para os anos de vida perdidos, sendo superior, inclusive, ao uso de álcool, drogas, tabagismo e inatividade física. Ainda, a alimentação inadequada foi o principal fator de risco para mortes no mundo em 2017. Sabemos hoje que o maior consumo de alimentos ultraprocessados está associado com o aumento do risco de mortalidade por todas as causas, doenças cardiovasculares gerais, doenças cardíacas coronarianas, doenças cerebrovasculares, hipertensão, diabetes mellitus, dislipidemia, síndrome metabólica, sobrepeso e obesidade, dentre outras doenças.

Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS, 2019), atualmente mais da metade dos adultos apresenta excesso de peso (60,3%, o que representa 96 milhões de pessoas), sendo mais comum no público feminino (62,6%) do que no masculino (57,5%). Já a condição de obesidade atinge 25,9% da população, alcançando 41,2 milhões de adultos, também com distribuição maior em mulheres (29,5%) do que em homens (21,8%). Quando observada a prevalência de obesidade grave em mulheres e homens, observa-se que obesidade grave acomete quase 3 vezes mais as mulheres do que os homens (1,1% de obesidade grave em homens e 2,9% em mulheres.

Considerando os adultos acompanhados na Atenção Primária à Saúde (dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional), em 2021, observou-se que 67,56% apresentavam excesso de peso e 33% apresentavam obesidade. Em mulheres atendidas, excesso de peso é maior do que em homens, alcançando uma taxa de 68,2% ou 7,3 milhões de mulheres e a obesidade alcança uma taxa de 34,2% ou 3,6 milhões de mulheres usuárias do SUS.

Além da alimentação saudável, a prática regular de atividade física é um fator que contribui muito para a saúde da população. Todavia, embora sejam reconhecidos os benefícios dessa prática para a saúde física, mental e social, sabe-se que com o passar dos anos, o tempo nas atividades físicas vai ficando menor, e as mulheres praticam menos atividades do que homens desde a infância.

No Brasil, as taxas de quem não atinge as recomendações mínimas de atividade física chegam a quase 50%, sendo que o percentual é maior em mulheres (55,7%) do que em homens. Em relação a adultos que assistem televisão ou usando o computador, tablet ou celular (comportamento sedentário), as taxas foram de quase 70%, sendo o percentual semelhante em mulheres (65,4%) se comparado aos homens.

Desse modo, os achados reforçam a importância de estimular hábitos mais ativos e mais saudáveis nos modos de vida da população, principalmente para as mulheres. Assim, ter um estilo de vida preventivo, realizar acompanhamento da saúde cardiovascular junto ao SUS e à Atenção Primária à Saúde, seguir as recomendações contidas no Guia Alimentar para a População Brasileira – Prefira sempre alimentos in natura ou minimamente processados e preparações culinárias a alimentos ultraprocessados – e no Guia de Atividade Física para a População Brasileira – Praticar qualquer atividade física, no tempo e lugar em que for possível, é melhor do que não praticar nenhuma atividade – são as recomendações e políticas públicas que o Ministério da Saúde tem disseminado para a população.

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