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Ambiente obesogênico: você sabe o que é?

Muito se fala da obesidade com o foco na pessoa que possui essa condição. Essa visão culpabilizadora reforça o estigma da obesidade e dificulta a compreensão de um contexto que é muito mais amplo. É preciso lembrar que a obesidade é uma doença crônica multifatorial. Isso significa dizer que existem diversas causas que podem  provocar o surgimento ou agravamento da doença.

Um exemplo disso são os chamados ambientes obesogênicos, que são aqueles ambientes promotores ou facilitadores de escolhas alimentares não saudáveis e de comportamentos sedentários, os quais dificultam a adoção e manutenção de hábitos alimentares saudáveis e a prática regular de atividade física. Isso significa dizer que aspectos no contexto em que o indivíduo está inserido, como o acesso a alimentos saudáveis, assim como a sua disponibilidade e até mesmo estruturas físicas, podem interferir nas escolhas individuais e familiares na hora de se alimentar, por exemplo.

Impacto na alimentação

Nesse contexto, um ambiente favorável ao peso saudável é aquele que favorece a adoção e manutenção de um estilo de vida saudável. Em contrapartida, optar por uma alimentação  mais adequada e saudável garante mais qualidade de vida. Um exemplo prático são os ambientes alimentares de espaços institucionais , como a escola e o trabalho.

Se esses locais não forem adequados, sem favorecer atitudes e comportamentos saudáveis, também podem colaborar para o desenvolvimento e a manutenção do sobrepeso e da obesidade. É aí que eles se tornam ambientes obesogênicos. É importante que estes espaços sejam ambientes promotores de uma alimentação adequada e saudável. Neste sentido, as empresas que têm copas, por exemplo, para que o colaborador leve sua comida de casa e tenha um espaço para se alimentar adequadamente, estão favorecendo escolhas mais saudáveis. Ou ainda, escolas que restringem a oferta de alimentos ultraprocessados e que priorizam os alimentos in natura e minimamente processados no preparo da alimentação oferecida e nas cantinas escolares.

De acordo com o Guia Alimentar para a População Brasileira, há evidências de que circunstâncias que envolvem o consumo de alimentos – por exemplo, comer sozinho, sentado no sofá e diante da televisão ou compartilhar uma refeição, sentado à mesa com familiares ou amigos – são importantes para determinar quais serão consumidos e, mais importante, em que quantidades. O que só reforça a necessidade de uma estrutura voltada para a alimentação.

O comer sem atenção não é prejudicial somente pela mastigação que fica comprometida, mas também porque não apreciamos as refeições e a maioria dos alimentos ultraprocessados é formulada para ser consumida em qualquer lugar e sem a necessidade de pratos, talheres e mesas. É comum o seu consumo em casa enquanto se assiste a programas de televisão, na mesa de trabalho ou andando na rua. Essas circunstâncias, frequentemente lembradas na propaganda de alimentos ultraprocessados, também prejudicam a capacidade de o organismo “registrar” devidamente as calorias ingeridas, conforme orienta o Guia.

Ambiente e atividade física

Além da questão alimentar, podemos citar também a falta de espaços que incentivem a pratica de atividade física. Isso também é um ambiente obesogênico, uma vez que não é dado ao indivíduo uma oportunidade de praticar atividade física, outro fator que propicia o surgimento da obesidade. É importante ressaltar que quando se fala em inatividade física, não é apenas sobre a prática de algum exercício estruturado, como os de academias. A atividade física é um conceito bem mais amplo, que inclui o lazer, o trabalho, os afazeres domésticos, o deslocamento.

A partir disso, é possível entender de que maneira o ambiente obesogênico influencia o comportamento sedentário, contribuindo para a obesidade. Isso porque a falta de estrutura urbana pode diminuir o acesso das pessoas a uma vida fisicamente ativa. Por exemplo: um desenho urbano que impossibilita a prática de atividade física em espaços de lazer ou por meio de transporte e a redução de aulas de educação física nas escolas. Em contrapartida, o que tem acontecido é a exposição cada vez mais constante ao uso de telas.

Compreendendo a importância do contexto e do ambiente, fica claro que reverter a condição de obesidade vai muito além da força de vontade de cada um. Assim como as causas são multifatoriais, as soluções também precisam ser. Nesse sentido, é preciso tornar os contextos favoráveis ao acesso a uma alimentação saudável e à prática de atividade física com a adoção de estratégias e políticas intersetoriais que promovam ambientes e cidades mais saudáveis.

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