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Caso Lorenza: audiência de promotor acusado de matar mulher é marcada

A justiça marcou a audiência de instrução e julgamento do promotor André Luís Garcia de Pinho, de 52 anos, suspeito de matar a esposa Lorenza Maria Silva de Pinho, de 41 anos, em abril do ano passado. O crime aconteceu no apartamento do casal em Belo Horizonte, e a audiência foi marcada para a manhã de 8 de agosto. Por ainda não ter sido julgado, o promotor está preso de forma preventiva desde agosto do ano passado. Agora, cabe à Justiça seguir com a instrução criminal, em que as provas são colhidas pela investigação. O Tribunal de Justiça já negou a soltura do promotor 12 vezes desde a sua prisão.

A audiência

A cada 90 dias, a prisão preventiva do promotor acusado de feminicídio é avaliada automaticamente pelo Tribunal de Justiça e Ministério Público (MPMG). “O porquê dessa negativa ainda será publicada em cinco dias. Esse é o andamento normal que é dado para qualquer pessoa que esteja cumprindo uma preventiva. A cada 90 dias a prisão é reavaliada”, explicou o advogado de defesa do promotor, Pedro Henrique Pinto Saraiva.

No rito processual que acontece na próxima semana, o juiz vai se reunir com as partes, advogados e testemunhas para a produção de provas ligadas ao caso. O promotor teve a detenção mantida em maio deste ano, após entrar com um pedido de habeas corpus, que foi negado por unanimidade pelos desembargadores do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. A defesa do promotor informou que aguarda a publicação da decisão para se manifestar.

Relembre o caso

Lorenza foi encontrada sem vida no dia 2 de abril de 2021 no apartamento em que morava com a família, em Belo Horizonte. O esposo da vítima, o promotor André Luís Garcia de Pinho, com 51 anos à época, foi preso sob a suspeita de ter matado a mulher. Ele alegou em depoimento que a mulher faleceu depois de passar mal e sofrer um engasgo.

Posteriormente, após investigações, o Ministério Público denunciou o marido da vítima por feminicídio. O laudo técnico produzido pelo Instituto Médico-Legal (IML) sobre o óbito de Lorenza indicou que ela foi assassinada. A certidão de óbito a que a reportagem teve acesso apontou que a morte, ocorrida no dia 2 de abril, foi causada por pneumonite devido a alimento ou vômito e autointoxicação por exposição intencional a outras drogas.

Investigações

Horas e minutos que antecederam o assassinato de Lorenza foram registrados por imagens de câmeras de segurança analisadas por peritos e investigadores no transcorrer de abril de 2021, desde que foi montada a equipe que comandaria a apuração da morte suspeita da mulher. Cem horas de gravação foram essenciais para detalhar o que aconteceu no apartamento da família Pinho no dia em que Lorenza foi morta.

Em agosto, André virou réu pelo feminicídio da esposa, e por ter foro privilegiado, foi julgado pelos desembargadores do Tribunal de Justiça. Segundo o Ministério Público, ele “permitiu dolosamente que Lorenza fizesse uso de medicamentos controlados juntamente com bebida alcoólica, circunstância que contribuiu para a morte da vítima”. Ainda conforme a denúncia feita pelo MP, ele teria fixado, nas costas da esposa, adesivos analgésicos em quantidade superior à dose prescrita e ter levado para casa duas garrafas de cachaça para que ela bebesse. A perícia identificou, no sangue de Lorenza, substâncias como Zolpiden, Mirtazapina, Quetiapina, Buprenorfina e Clonazepam.

As circunstâncias da ocorrência levantaram suspeitas na Polícia Civil. Segundo o boletim de ocorrência, o corpo chegou a ser levado para uma funerária, mas, por determinação do delegado Alexandre Oliveira da Fonseca, foi encaminhado para o IML para apuração da causa do óbito.

Fonte: Barbacena Online

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