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Todos pela vida!

Coluna Vou Falar

Todos pela vida!

 

Há um lugar escuro, mas tão escuro, que não apenas é impossível encontrar a saída. Ela parece não existir. A desesperança e o sentimento de que não vale a pena abrir os olhos mais uma vez, que respirar é um fardo, que nada dará certo, precede ao pensamento de morte, ao desejo de acabar com a própria vida. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a cada 45 minutos, um (a) brasileira se suicida. Desse número alarmante, mais um dado: em 90% dos casos poderia haver uma prevenção. O suicídio, na mente de quem o comete, é o desfecho final. É a tentativa de colocar um fim à dor que angustia, que amargura, que fera a alma e consome as energias. Para os conhecidos da vítima, muitas vezes fica a dúvida no ar, o que poderia ter sido feito para conter a situação? Na mente de um suicida não há futuro.

É nosso papel mostrar o que a vida ainda pode oferecer. Em seu caminho para o desfecho fatal o suicida larga pequenos indícios, migalhas que indicam as causas. Mesmo que a pessoa não expresse de maneira clara suas intenções, é possível detectar algumas mudanças de comportamento. Buscar ajuda por contra própria pode ser muito difícil; é mais fácil tentar chamar a atenção. É difícil encontrar pessoas que estejam preparadas pra ouvir sobre depressão, síndrome do pânico, transtorno de personalidade limítrofe ou alguma das tantas doenças que exigem tratamento psiquiátrico e nem começamos a falar das outras desordens relacionadas ao uso de substâncias, esquizofrenia, transtornos de personalidade etc.

E a depressão é quieta. Ela vem aos poucos. Ela grita em silêncio. E às vezes, ela grita no ouvido do nosso colega que sempre vai embora mais cedo da mesa do bar. Daquela amiga hilária que faz piada com tudo o que se mexe e nunca para de rir de como “a vida tá uma merda”. Rir de tudo também é desespero. É de extrema importância acompanhar eventuais mudanças de comportamento que levem o indivíduo ao isolamento social, desinteresse em atividades que antes davam prazer, angústia, aflição, baixo rendimento na escola ou no trabalho. Precisamos dar atenção a esses sinais! Precisamos valorizar e respeitar a dor de outra pessoa. Não podemos julgar o sentimento alheio. Não permita que os números aumentem. Engajem-se oferecendo seu ombro, seu ouvido, suas mãos em contribuir com ações efetivas em favor da vida. Demonstre interesse, ofereça ajuda. Não por vanglória pessoal, mas porque a morte nunca será a solução. Seu objetivo não é forçar que a pessoa fale com você e nem deve ser de dar críticas ou julgamentos. Ela precisa entender que você se preocupa com ela, que você a ama de uma maneira real. Que a vida dela é importante, que sua morte será sentida com pesar e muita tristeza. O ideal, em muitos casos, é se oferecer a encontrar uma ajuda profissional. Você não tem as respostas finais para a crise de outra pessoa, mas pode ser um intermediador. Precisamos ser empáticos. Precisamos olhar pro outro e lembrar que a história de vida que ele carrega nos ombros influencia diretamente nas decisões que toma. No que o afeta. No que o faz sofrer.

Nós contribuímos uns com os outros no abraço, no olhar, no “ah, vem cá!” acompanhado do abraço que o outro precisa. Às vezes, o abraço cura. Às vezes, é tudo o que se precisa. Olhe. Veja. Enxergue. Vá além e permita-se ser disponível. Esteja presente. Abrace. Faça a diferença. Vá. Diga sim. Diga “eu entendo”. Diga “eu não te entendo, mas continuo aqui”. Ouça. Sobretudo, ouça. Deixe que digam, que chorem, que esperneiem. Não seja a mão que aponta, seja o abraço que acolhe e o colo que aconchega. Seja a contramão do individualismo que tanto machuca. Não permita que a situação chegue ao ponto extremo.

A morte não é a melhor saída. Sempre há outro caminho para seguir em frente.

Tô Sabendo e Vou falar!
Aaron Fênix

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