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Resistência e solidariedade: Dona Jandira 82 anos

Solidariedade e resistência: Dona Jandira faz apresentação e emociona o público em BH
Solidariedade e resistência: Dona Jandira faz apresentação e emociona o público em BH

Aos 82 anos, a cantora e violonista Dona Jandira encontra forças para lutar em tempos pandêmicos e mostra o melhor de sua arte, permeada pela vontade de resistir a uma crise sanitária que afetou diretamente a classe artística.  Cidadã honorária de Belo Horizonte, cidade que a acolheu desde que despontou como um nome expressivo do samba mineiro, Dona Jandira cantou e encantou o público na apresentação realizada na última quinta-feira, 7 de outubro, no espaço Cantin Noir. Protagonista de sua história, com uma voz poderosa e singular, a cantora encontra tempo e disposição para contribuir em causas sociais. Dona Jandira cedeu o cachê para ajudar nas atividades da Fio de Luz, uma organização não-governamental que fabrica perucas para doação a pacientes em tratamento de câncer.

Para o presidente da Fio de Luz, Edimilson Marques, a disponibilidade de artistas como Dona Jandira faz a diferença. “Ela conheceu nosso trabalho e quis nos ajudar, o nome disso é amor, amor ao próximo e respeito a dor das pessoas que sofrem com os danos causados pelo câncer”, relata Marques.  A produção ficou a cargo da Esperanza Tour e Eventos, uma empresa que desenvolve projetos sociais em Belo Horizonte e em outros municípios mineiros. De acordo com diretor da empresa Marco Haddad, o engajamento de Dona Jandira contribui para ampliar a visibilidade da campanha Outubro Rosa. “Promover o diálogo e a conscientização pela música é essencial no contexto que estamos vivenciando. As experiências vividas em momentos de lazer possuem uma grande aproximação entre as pessoas”, explica Marco.

O turismólogo e ferroviário aposentado Eduardo Alves acompanha o trabalho de Dona Jandira há seis anos e, desde então, tornou-se fã e amigo da artista. “Ela tem uma voz particular, me lembra as cantoras do rádio. Fui em Itatiaia conhecer o trabalho social dela e fiquei emocionado. Mesmo com toda dificuldade enfrentada pelos artistas na pandemia, ela fez a doação do cachê para uma causa social nobre”, diz Eduardo.

O produtor cultural e jornalista Júlio Anastácio conheceu Dona Jandira cantando na noite da capital e destaca a representatividade da cantora. “Ela conquistou os artistas das montanhas, dividindo o palco com muitos deles. Dona Jandira é uma figura marcante, uma mulher negra, nordestina, que foi consagrada depois dos sessenta anos e continua firme em seu propósito artístico”, argumenta Anastácio.

Dona Jandira destacou a importância da contribuição de todos com a campanha Outubro Rosa. “Temos que resistir à realidade atual que anda muito conturbada. Colaboro com trabalhos sociais há muito tempo e, neste momento, a solidariedade passa a ser essencial. Agradeço aos músicos que me acompanham e ao público pelo carinho e receptividade”.

Dona Jandira morou em Itatiaia (Ouro Branco) e foi uma das fundadoras dos Bem-Te-Vis. Com saúde debilitada sente fortes dores no nervo ciático. Aos 82 anos e mesmo com fortes dores, não para de fazer o que mais gosta: cantar.

Texto: Everlan Stutz
Fotos: Michele Mavise

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