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As eleições vêm ai! E ai?

 Coluna Vou Falar

As eleições vêm ai! E ai?

As eleições vêm aí, e com elas a minha eterna desconfiança no sistema eleitoral brasileiro. Votar é um direito do cidadão, e deveria ser tratado como tal, mas aqui virou dever. Votar é um ato de cidadania que exige reflexão, porque política é muito importante. O voto compulsório deveria servir para que todo mundo se obrigasse a pensar no assunto.

Na prática, grande parte dos eleitores, obrigada a decidir entre o nada e a coisa nenhuma, é enganada com facilidade e se desilude cada vez mais com a política. Não à toa, tantos eleitores declaram que irão votar em branco ou anular o voto. Muitos se pudessem, nem iriam às urnas, e alguns preferem justificar a ausência a comparecer à sua zona eleitoral. São compreensíveis as razões de quem segue por esses caminhos, mas é ingênuo supor que, agindo assim, estão se isentando da responsabilidade: em um sistema de voto obrigatório, isso significa delegar as decisões aos eleitores mais despreparados, ou mais influenciáveis. Melhor pensar duas vezes.

O apocalipse político do Brasil é tão catastrófico que o merecedor do voto depende do critério que o eleitor julga ser o mais importante. As justificativas mais recorrentes são: “rouba, mas faz”, “rouba menos”, “rouba, mas fala bonito e tem carisma”, “rouba, mas defende determinado grupo do qual faço parte”, “rouba, mas prega (ainda que não viva) uma ideologia que eu também prego”. Não adianta reclamar dos políticos que estão, por todas as razões possíveis, totalmente desacreditados. Fomos todos nós, eleitores, que os colocamos lá, com a ajuda de quem se omite e de quem opina sem ter a menor ideia do que está fazendo. Nos momentos de pessimismo chego a pensar que, se os vencedores fossem sorteados, faria pouca diferença.

O fato é que todos deveriam prestar muita atenção na política, pois ela afeta, e muito, a vida de cada um de nós. Devemos, sim, procurar saber tudo o que for possível sobre os candidatos, antes de uma eleição. O que não devemos é acreditar em todas as suas promessas e mentiras. Não há muito em quem confiar. Luz no fim do túnel seria um luxo. O ser humano, no entanto, e em especial o brasileiro, adapta-se à situação, por mais trágica que seja. A pergunta do nosso paredão é ingrata: quem é o menos pior? E aí cada um escolhe um lado. Alguns ficam na esquerda e outros na direita. Dava até um filme: Meu Malvado Favorito.

Precisamos saber votar e precisamos saber cobrar trabalho daqueles em quem votamos. Porque são os representantes que elegemos para dirigir nossas cidades, nossos Estados e nosso país, que administrarão a seu bel prazer a saúde, a educação, a segurança, a infraestrutura pública. São os deputados estaduais e federais, os senadores e o Presidente da República que vão dirigir nossos destinos. São eles que, uma vez colocados no poder pelo nosso voto, aprovarão leis que nos prejudicarão e deixarão de aprovar leis que beneficiariam a sociedade como um todo. São eles que, céleres, legislarão em causa própria. Isso tudo sem falar da corrupção e da impunidade que dilapidam o dinheiro público e impedem que os recursos formados pela grande quantidade de impostos que pagamos sejam aplicados em mais obras.

O ataque contra o candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) não tem precedentes na história recente do país, mas a violência contra políticos marcou diversos períodos da história da República e influenciou os rumos de momentos marcantes da vida política. Sobretudo em períodos eleitorais como o atual, a política mexe com a cabeça, mas também com a emoção. Esses episódios ajudam a criar climas, modificar a imagem de pessoas, construírem vítimas ou mártires. Todos esses elementos entram no imaginário da população e podem influenciar nas eleições.

Cada um tem o direito de tomar o critério que quiser e de julgar o caráter do possível eleito de acordo com a sua interpretação, mas isto não minimiza os danos que esta guerra com vencedores e vencidos causa ao país, pelo contrário, a desunião pode ser a última pá de terra sobre a cova do gigante que sofre.

Tô Sabendo e Vou Falar!
Aaron Fênix!

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