Fato Real
Coluna Vou Falar - por Aaron Fenix Gerais

Agosto Lilás

É uma campanha de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher, com objetivo de divulgar a Lei Maria da Penha, sensibilizar e conscientizar a sociedade sobre o necessário fim da violência contra a mulher, divulgar os serviços especializados da rede de atendimento à mulher em situação de violência e os mecanismos de denúncia existentes. É sabido que a violência doméstica e familiar atinge mulheres de todas as idades, de diversas classes sociais, raças, credos, níveis educacionais, profissões. Atinge mulheres urbanas e rurais e tem impacto negativo nas crianças e adolescentes que vivem nesse ambiente. A violência contra a mulher, portanto, atinge toda a família.

E, assim sendo, precisamos pensar além das ações de sensibilização e conscientização da sociedade para o enfrentamento à violência através de ações efetivas que ofereçam novas oportunidades e despertem nas mulheres a possibilidade de retomar as rédeas de sua vida. Avançar em passos mais largos e despertar nas mulheres em situação de violência a possibilidade de recomeço de vida, com resgate da autoestima, qualificação profissional, inclusão no mercado de trabalho e geração de renda, pode contribuir para a autonomia econômica e social da mulher, o que é uma das principais portas de saída do ciclo da violência.
O Brasil nasceu de uma violência e ainda continuamos nela. As mulheres tem sofrido desde então, desde os corpos violados das meninas e mulheres que moravam aqui antes das invasões, até as contemporâneas, escolarizadas, urbanas, constantemente assombradas pelo medo de andar nas ruas.

Milhares de mulheres de alguma forma, sofrem violência nas mãos de seus maridos, companheiros, namorados, pais, irmãos. São muito poucas as que contam a alguém, a um amigo, a um familiar, a um vizinho ou à polícia. As vítimas desse tipo de violência provêm de vários estilos de vida social, cultural, religioso, e partilham sentimento de insegurança, isolamento, culpa, medo e vergonha. A violência contra as mulheres é resultado da crença, fomentada pelo agressor, em culturas de que o homem é superior e de que a mulher que com ele vive é um objeto de posse que ele tratará como muito bem quiser. A ilusão de domínio do homem sobre a mulher atravessa o tempo e empurra nossa sociedade para o abismo da perversidade. Deveria enojar a todos nós. Os homens, e uso de forma genérica esse termo, pararam no tempo, o que significa dizer que, embora suas massas corpóreas habitem o presente, suas mentes vagam por uma evocação de domínio.

A violência contra a mulher é uma das manifestações mais cruéis e evidentes da desigualdade de gênero no Brasil e no mundo. Fundada em uma cultura patriarcal impregnada de valores sexistas, nossa sociedade vem sofrendo com um problema que, mais do que persistente, tem se mostrado crescente em meio a um cotidiano perverso e sustentado por relações sociais profundamente tóxicas e agressivas.

É dever do Estado e uma demanda da sociedade enfrentar todas as formas de violência contra as mulheres. Coibir, punir e erradicar todas as formas de violência devem ser preceitos fundamentais de um país que preze por uma sociedade justa e igualitária entre mulheres e homens. Termino com um trecho de uma canção de Milton Nascimento: “”Maria, Maria é um dom, uma certa magia, uma força que nos alerta, uma mulher que merece viver e amar como outro qualquer do planeta.”

Tô Sabendo e Vou Falar!
Aaron Fênix

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