Fato Real
Coluna Vou Falar - por Aaron Fenix Destaque

A nova onda de conflitos raciais nos Estados Unidos exige uma reflexão sobre o quanto, em nosso dia a dia, praticamos ou simplesmente fechamos os olhos para o preconceito contra os negros. Os protestos, que iniciaram de maneira pacífica, mas rapidamente evoluíram para a violência e os saques, visam chamar a atenção da sociedade americana para a forma desigual com que a Polícia trata negros e brancos.

O afro-americano George Floyd, de 40 anos, perdeu a vida em Minneapolis depois de supostamente tentar pagar uma conta em uma mercearia com nota falsa de US$ 20. Num país onde, até os anos 60, negros e brancos não podiam dividir as mesmas calçadas, escolas e bares, as tensões são ainda mais fortes do que no Brasil.

Mas engana-se quem acredita que a praga do racismo não está presente e de forma muito viva em nossa sociedade. Embora o racismo ainda não seja um assunto discutido abertamente entre os brasileiros, percebe-se que o preconceito sobre os negros e os seus descendentes encontra-se na história recente do Brasil, principalmente nos três séculos de escravidão, e pelas escassas políticas de inserção desses sujeitos na sociedade, especialmente após a Abolição da Escravatura em 13 de maio de 1888. Ela se manifesta também no tratamento diferenciado da Polícia de alguns estados, assim como na presença menor de afrodescendentes em funções de comando nas empresas, no pequeno número de graduandos, mestres e doutores “de cor” nas universidades e na falta deles nos parlamentos e nos Executivos. A tal ponto de as manchetes dos jornais ainda saudarem estas conquistas como feitos históricos quando eventualmente se materializam.

Precisamos mudar isso e um bom começo é reconhecer que os descendentes de africanos que vivem ao nosso lado merecem o mesmo respeito com que tratamos nossos vizinhos de pele e olhos claros. Ajudaria bastante se cada um pensasse um pouco antes de fazer piadas que apresentam o negro como marginal ou intelectualmente inferior. E que tal se paramos de considerar suas manifestações culturais e religiosas menos valiosas do que o tradicionalismo por exemplo? Todos somos culpados pela segregação, ainda que, na frente dos outros, a gente bata no peito e garanta que não é racista. No fundo, todos somos, mas alguns já perceberam que estão errados e se esforçam para mudar suas atitudes. Não é fácil quando, a vida toda, somos cercada por gente que não encara o preconceito como algo realmente nocivo. Vale o mesmo em relação a deficientes, idosos, judeus, índios, homossexuais e todos aqueles que são ou pensam diferente.

Li por esses dias uma frase que se adapta bem a esta reflexão: “não é preciso ser negro para combater o racismo”. O caminho é esse. A mudança deve começar em cada um, buscando o conhecimento e pensando mais antes de falar. Pode não ser suficiente para mudar a realidade com a velocidade que a situação requer, mas vai garantir que aquela cena do policial ajoelhado sobre o pescoço de um suspeito negro não se repetirá nunca mais. Nem lá e nem aqui.

Tô Sabendo e Vou Falar!
 Aaron Fênix

 

 

 

 

 

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